Sábado, Março 7, 2026
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Sidnei foi atropelado e morto por amigo de infância em SJC

A tragédia que tirou a vida de Sidnei de Andrade Sobreira, de 47 anos, conhecido no bairro Alto da Ponte como “Perninha”, deixou um rastro de comoção e revolta em São José dos Campos. Trabalhador incansável e vendedor de frutas e verduras, Sidnei empurrava seu carrinho pela Avenida Pico das Agulhas Negras, na noite de segunda-feira (11), quando foi violentamente atropelado por um carro conduzido por Cassiano Aparecido Machado, de 48 anos — amigo de infância e conhecido da família. Após o impacto, o motorista fugiu sem prestar socorro.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do acidente. O carro, que segundo testemunhas passava a cerca de 80 km/h em um trecho de limite de 30 km/h, atingiu Sidnei com força suficiente para arremessá-lo para dentro de um bar, destruindo seu carrinho e espalhando as mercadorias pela via. Pessoas próximas afirmam que o motorista sequer tentou reduzir a velocidade.

O choque para a família foi ainda maior pela relação de proximidade entre vítima e acusado. “Ele conhece meu irmão desde criança. Semana passada esteve em casa conversando. Quando vê aquela carrocinha, sabe que era meu irmão. Lógico que sabe”, desabafou o irmão. Outro parente reforçou que Cassiano não possuía habilitação: “Não tem carteira e está dirigindo? E matando, né?”.

A revolta aumentou quando, após prestar depoimento, Cassiano foi liberado por não ter sido preso em flagrante. Horas depois, foi visto dirigindo o mesmo carro, passando inclusive diante da casa da vítima. “É um deboche muito grande. No mesmo dia, ele volta para a rua como se nada tivesse acontecido”, lamentou o irmão.

A justificativa apresentada pelo motorista gerou indignação. Segundo um amigo da família que ajudou a obter as imagens, Cassiano alegou ter pensado que havia batido apenas no carrinho e que não percebeu ter atropelado uma pessoa. Disse ainda que fugiu por medo de linchamento, embora no local estivessem apenas o dono do bar, o filho da testemunha e o próprio vendedor.

Sidnei era conhecido pela simpatia e pelo cuidado com a mãe de 88 anos, de quem cuidava com dedicação. Saía cedo todos os dias para trabalhar, garantindo o sustento com as vendas nas ruas. “Era prestativo, ajudava todo mundo e nunca reclamava do trabalho”, contou um amigo próximo.

O enterro ocorreu na manhã desta quarta-feira (13), no Cemitério Municipal Colônia Paraíso, em meio a aplausos e lágrimas. Familiares e amigos clamam por justiça e punição exemplar. “Uma pessoa sem licença para dirigir atropela, mata e no mesmo dia é liberada para voltar ao volante. É um desrespeito com a vida e um retrato da impunidade no país”, resumiu um parente inconformado.

Montagem Vale 360

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