Mesmo com regras, lei que libera rodeios em Caçapava acende alerta para maus-tratos e retrocesso
Foi sancionada pelo prefeito Yan Lopes (Podemos) a lei que autoriza a realização de rodeios em Caçapava, agora em vigor após publicação no Diário Oficial do município. A medida, proposta pela vereadora Fran Miranda (PL) e aprovada por oito votos a dois na Câmara Municipal, impõe algumas regras aos organizadores, mas reacende o debate sobre a real necessidade — e a ética — de permitir eventos que colocam animais em situações de estresse e sofrimento.
De acordo com a legislação, as entidades promotoras deverão disponibilizar infraestrutura completa, incluindo atendimento médico, ambulância, equipe de primeiros socorros e médico-veterinário para o “bem-estar” dos animais. Também será exigido atestado de saúde individual para cada animal participante.
No entanto, críticos afirmam que tais exigências, embora pareçam rigorosas no papel, não eliminam a essência do problema: rodeios, por sua própria natureza, envolvem práticas que forçam os animais a comportamentos antinaturais, frequentemente utilizando métodos de contenção e estímulo à reação que provocam dor ou medo. Fiscalização e regulamentação não apagam o fato de que o entretenimento é obtido às custas de sofrimento.
O Projeto de Lei nº 140/2025 foi aprovado com apoio dos vereadores Adilson Henrique (PL), Bruno Henrique (PL), Catiane Fonseca (União Brasil), Dani Galdino (Republicanos), Dra. Roseli Bueno (PL), Fran Miranda (PL), Pablo Fernandes (DC) e Professor Jefferson (Podemos). Apenas Dandara (PSB) e Maicon Goiembiesqui (Republicanos) votaram contra, sustentando que a cidade deveria priorizar eventos culturais e esportivos que não explorem animais.
Para entidades de proteção animal, a aprovação é vista como um retrocesso. Mesmo com ambulâncias, atestados e veterinários presentes, o cerne da questão permanece: a lei legitima a exploração de animais para fins de entretenimento humano, algo que não se justifica em pleno século XXI.

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