Domingo, Junho 7, 2026
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Adeus a Arlindo Cruz: Brasil perde um dos maiores nomes do samba aos 66 anos


O samba amanheceu em silêncio. Morreu nesta sexta-feira (8) o cantor e compositor Arlindo Cruz, um dos maiores ícones do gênero, aos 66 anos. Internado no CTI da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, o artista tratava uma pneumonia, mas não resistiu. A família confirmou a notícia que entristece o país.

Desde 2017, quando sofreu um AVC enquanto tomava banho, Arlindo convivia com sequelas que o afastaram dos palcos e limitaram seus movimentos. Portador de uma doença autoimune, passou a depender de sonda alimentar e, em julho deste ano, deixou de responder a estímulos, mesmo após diversas cirurgias. O quadro se agravou e, desta vez, o corpo não suportou.

Dono de uma carreira marcada por sucessos eternizados na memória popular, Arlindo Cruz é autor e intérprete de canções como Meu Lugar, O Bem, Será Que É Amor e O Show Tem Que Continuar. Compositor inspirado e sambista nato, iniciou a trajetória musical em 1981 nas rodas de samba do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Jorge Aragão e Almir Guineto.

O reconhecimento nacional veio primeiro como compositor gravado por grandes intérpretes e, mais tarde, como integrante do grupo Fundo de Quintal. A partir de 1993, seguiu carreira solo e, entre 1996 e 2002, gravou cinco álbuns em parceria com Sombrinha. Em 2009, lançou o DVD MTV ao Vivo: Arlindo Cruz, que vendeu mais de 100 mil cópias. Seu último trabalho antes do AVC foi Pagode 2 Arlindos, gravado em 2017 ao lado do filho Arlindinho.

Fora dos palcos, Arlindo também brilhou no Carnaval, conquistando títulos e vitórias em disputas de samba-enredo por escolas como Império Serrano, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos de Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu.

Na vida pessoal, era casado desde 2012 com a produtora Babi Cruz, com quem viveu mais de 26 anos. O casal renovou os votos em 2022, em uma cerimônia intimista no Rio de Janeiro. Arlindo deixa dois filhos: o músico Arlindo “Arlindinho” Domingos da Cruz Neto e Flora Cruz.

Após o AVC, o artista passou a viver cercado pela família, dedicando-se ao tratamento. Recebeu alta hospitalar em 2018, mas voltou a ser internado diversas vezes a partir de 2022, principalmente por problemas respiratórios. A pneumonia foi a última batalha do mestre, que agora se despede deixando um legado imenso e um vazio profundo no samba brasileiro.

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