Megaoperação em São José dos Campos prende suspeitos de falsificar e vender remédios em apartamentos de luxo
Dois homens suspeitos de integrar uma quadrilha de falsificação de medicamentos e tráfico de anabolizantes foram presos nesta terça-feira em São José dos Campos, durante uma megaoperação da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A ação fez parte da Operação Dead Shark, deflagrada simultaneamente em 12 estados brasileiros.
Um dos alvos foi localizado em um apartamento de alto padrão no bairro Jardim Aquarius, na zona oeste da cidade. Ele foi surpreendido no início da manhã pelas equipes policiais e conduzido ao 1º Distrito Policial, onde permanece preso temporariamente à disposição da Justiça.
Outro investigado foi capturado em um imóvel de luxo na rua Santa Clara, região da Vila Adyana. A esposa dele também foi detida e levada para averiguação. As prisões ocorreram logo após uma reunião de alinhamento entre os agentes, que começaram as diligências por volta das 6h.
A operação em São José dos Campos foi coordenada pelo delegado Reinaldo Checa, titular do 1º Distrito Policial. Ao todo, 10 equipes participaram da ofensiva na cidade — sete de São José e três da 1ª Cerco (Central Especializada de Repressão ao Crime Organizado). Também foram cumpridos mandados na cidade vizinha de Jacareí, em endereços relacionados aos alvos da investigação.
A Operação Dead Shark tem como objetivo desmantelar a organização criminosa conhecida como “Red Shark”, especializada na produção clandestina de anabolizantes e emagrecedores. Segundo a polícia, os produtos eram fabricados em laboratórios irregulares com insumos fora das normas sanitárias e vendidos sem qualquer prescrição médica.
A quadrilha atuava como uma empresa paralela: mantinha laboratórios próprios, logística de distribuição, ações de marketing e até vestuário com a logomarca “Red Shark”. A venda ocorria principalmente pelas redes sociais, sites e plataformas digitais, alcançando consumidores finais de forma direta, em flagrante violação das normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
De acordo com o delegado Ronald Quene, coordenador da operação no estado, a investigação teve início há cerca de um ano, com base em denúncias e trabalho de inteligência da 1ª Cerco. A estimativa é de que a quadrilha tenha movimentado aproximadamente R$ 25 milhões nos últimos cinco anos.
Somente no estado de São Paulo foram cumpridas 57 ordens judiciais, entre mandados de prisão e de busca e apreensão, nos municípios de São José dos Campos, Jacareí, São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Cotia, São Caetano do Sul, Campinas, Jundiaí, Louveira, Sumaré e São José do Rio Preto.
Ao todo, 255 equipes compostas por três policiais civis cada participaram da operação em nível estadual, com envolvimento de todos os departamentos da Polícia Judiciária. Os alvos foram definidos a partir do mapeamento da atuação da quadrilha em cada local.
Durante os cumprimentos dos 85 mandados de busca, os agentes foram orientados a apreender todo material ligado à produção e venda dos medicamentos ilegais, registrando os itens em formulários específicos para facilitar a consolidação das provas.
A Polícia Civil segue com as investigações e novas prisões podem ocorrer nos próximos dias.


