Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

Um ano sem Loirinho: família e amigos ainda aguardam justiça pelo assassinato do empresário em Taubaté

A saudade ainda grita e o silêncio da justiça ecoa. Passado um ano do assassinato do empresário e fazendeiro José Roberto de Andrade, o “Loirinho”, familiares e amigos seguem convivendo com a dor da perda e a revolta pela impunidade. Aos 59 anos, Loirinho teve sua vida ceifada a tiros em Taubaté, na madrugada de 6 de julho de 2024, num crime que segue sem respostas.

Naquela madrugada de sábado, Loirinho dirigia sua caminhonete quando foi surpreendido por dois criminosos em uma moto. O garupa efetuou os disparos à queima-roupa. Três tiros atingiram a região da cabeça. O empresário morreu na hora. Os assassinos fugiram pela Via Dutra e desapareceram sem deixar rastro.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a investigação está sob responsabilidade da Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de Taubaté. A pasta informou que “a autoridade policial prossegue com as diligências visando o esclarecimento de todos os fatos”, mas não divulgou maiores detalhes, alegando preservação do trabalho investigativo.

O silêncio das autoridades alimenta o medo e a frustração da família. “A polícia não sabe quem matou, não tem nada. Esses caras estavam sondando ele. Pararam no semáforo e atiraram. Até agora, ninguém foi identificado”, desabafou um parente próximo que pediu para não ser identificado por receio de represálias.

José Roberto era uma figura conhecida no Vale do Paraíba. Empresário bem-sucedido, era dono de postos de combustíveis e de quatro fazendas na região. Deixou duas filhas, uma neta e uma legião de amigos. Descrito como alegre, generoso e brincalhão, ele era o esteio da família e um pilar para todos que o rodeavam.

“Ele era a nossa estrutura. Sempre apoiou”, comentou uma familiar, emocionada. A falta de respostas só aumenta a dor daqueles que dividiam a vida com ele.

Mário (nome fictício), que trabalhou ao lado de José Roberto por uma década, define a relação entre os dois como de pai e filho. “Estávamos juntos todos os dias. Ele dizia que eu era como um filho para ele. A falta dele é um vazio que não tem fim. E ver que até hoje nada foi feito… é revoltante.”

Para ele, o crime teve motivação clara: execução. “Não levaram nada. Foram direto nele. Isso não foi assalto, foi mando.”

O eletrotécnico João Francisco Mota, outro grande amigo de Loirinho, lembra da trajetória do empresário desde os tempos em que ele tinha uma lanchonete no centro de Taubaté. “Foi amizade à primeira vista. Ele era uma pessoa querida por todos, ajudava os amigos, bancava almoço de lojista, deixava as pessoas colocarem na conta dele.”

João se recorda com carinho de um gesto que define a alma generosa de Loirinho. “Estávamos fazendo churrasco na casa dele, quando uns meninos em situação de rua bateram no portão. Ele deixou entrarem, deu roupa para eles nadarem e ainda dividiram a comida com a gente. Esse era o coração do Loirinho.”

Apesar do temperamento firme e da postura imponente, José Roberto era profundamente respeitado e admirado por sua bondade e disposição para ajudar. “Era bravo, não levava desaforo, mas era justo e generoso. Todo mundo respeitava porque ele era um homem de palavra.”

A ausência ainda é sentida com intensidade. “Ele passou o último réveillon comigo, em Ubatuba. Não tem um dia que eu não lembre dele. Foi um crime brutal, e o mais absurdo é que passou mais de um ano e ninguém foi preso. Isso machuca demais”, lamenta João Francisco.

Enquanto a família e os amigos vivem o luto que não se encerra, permanece no ar a pergunta que precisa de resposta: quem matou Loirinho? E por quê?

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