REMÉDIOS SOB SUSPEITA: Anvisa fecha produção e expõe risco grave em farmácia de São José dos Campos
Uma operação pesada da Anvisa, em conjunto com as vigilâncias sanitárias estadual e municipal, acendeu o alerta vermelho na saúde pública ao interditar a linha de produção de medicamentos estéreis de uma farmácia de manipulação em São José dos Campos após a identificação de irregularidades consideradas graves e potencialmente perigosas.
A ação, iniciada na segunda-feira (16), não ficou restrita apenas à farmácia. Os fiscais ampliaram o cerco e também inspecionaram uma distribuidora ligada ao setor, revelando um cenário preocupante que vai muito além de um único estabelecimento.
No centro da operação está a empresa Terapêutica Farmácia de Manipulação LTDA, onde os agentes encontraram falhas críticas, principalmente na higienização de equipamentos e utensílios utilizados na produção de medicamentos. Como se não bastasse, a ausência de validação nos processos de esterilização, etapa fundamental para eliminar bactérias, vírus e fungos, escancarou um risco direto à saúde de quem consome esses produtos.
Na prática, isso significa que medicamentos que deveriam tratar doenças poderiam, na verdade, se tornar um problema ainda maior.
Outro ponto que chamou atenção da fiscalização foi a manipulação de fórmulas sem respaldo científico. Entre elas, uma combinação de tirzepatida com vitamina B12 e glicina, cuja eficácia e segurança não são comprovadas. Também foram identificadas irregularidades na produção de substâncias utilizadas nas chamadas “canetas emagrecedoras”, com concentrações semelhantes às de medicamentos industrializados, prática proibida para farmácias de manipulação, que devem atuar exclusivamente com fórmulas personalizadas mediante prescrição.
A situação se agrava ao olhar para a estrutura do local. Os fiscais encontraram um verdadeiro combo de problemas, sistema de ar inadequado, infraestrutura comprometida, falta de controle sobre insumos, inclusive hormonais, e armazenamento irregular de produtos que deveriam estar sob refrigeração controlada, mas eram mantidos em geladeiras comuns.
Como agravante, a farmácia ainda realizava obras sem qualquer comunicação prévia à Vigilância Sanitária, descumprindo normas básicas de controle sanitário.
A operação também atingiu a empresa Mali Produtos para Saúde LTDA, onde foram constatadas falhas graves como ausência de controle sobre produtos sujeitos à vigilância, armazenamento inadequado, falhas na garantia de qualidade e problemas no transporte dos insumos. Na prática, não há garantia de que os produtos cheguem ao consumidor final em condições seguras.
Diante do cenário, a resposta foi imediata. A linha de produção de medicamentos estéreis foi interditada, e a farmácia está proibida de fabricar e comercializar esses produtos até que todas as irregularidades sejam corrigidas e comprovadas.
A operação integra um programa nacional da Anvisa voltado à fiscalização rigorosa de medicamentos estéreis, e foi concluída na quarta-feira (18). Agora, os estabelecimentos só poderão retomar as atividades após passarem por nova avaliação e comprovarem que estão dentro das normas sanitárias.
O caso acende um alerta importante. Quando o controle falha, o remédio pode deixar de ser cura e passar a ser risco.


