Sexta-feira, Março 20, 2026
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Farmácia interditada produzia até ‘canetas emagrecedoras’ irregulares

Em desdobramento da operação já noticiada, novos elementos revelados pela Anvisa aprofundam a gravidade do caso envolvendo a Terapêutica Farmácia de Manipulação LTDA, em São José dos Campos, e escancaram um cenário preocupante na produção de medicamentos.

A fiscalização, realizada entre domingo, dia 16, e terça-feira, dia 18 de março de 2026, com apoio das vigilâncias sanitárias estadual e municipal, resultou na interdição da linha de produção de medicamentos estéreis da empresa após a constatação de falhas consideradas críticas.

Segundo a Anvisa, foram identificados problemas graves na higienização de equipamentos e utensílios utilizados na manipulação, além da ausência de validação dos processos de esterilização — etapa indispensável para eliminar microrganismos como bactérias, vírus e fungos. A falta desse controle compromete diretamente a segurança dos produtos, colocando em risco a saúde dos pacientes.

Um dos pontos mais sensíveis da inspeção envolve a produção de substâncias utilizadas nas chamadas “canetas emagrecedoras”. De acordo com o órgão regulador, a farmácia estaria manipulando fórmulas com concentrações semelhantes às de medicamentos industrializados, prática proibida pela legislação. Farmácias de manipulação devem produzir medicamentos personalizados, mediante prescrição individual, e não replicar fórmulas padronizadas do mercado.

Durante a ação, também foi identificada a manipulação de uma combinação envolvendo tirzepatida, vitamina B12 e glicina. A Anvisa alerta que essa associação não possui eficácia nem segurança comprovadas, o que levanta preocupações sobre possíveis riscos à saúde.

As irregularidades não se limitaram ao processo produtivo. A estrutura da farmácia também apresentou falhas, como sistema de ar inadequado, infraestrutura comprometida e ausência de controle rigoroso sobre insumos, inclusive hormonais. Medicamentos que exigem refrigeração estavam armazenados em geladeiras comuns, sem controle adequado de temperatura, o que pode comprometer sua estabilidade e eficácia. Além disso, obras estavam sendo realizadas no local sem comunicação prévia aos órgãos de vigilância sanitária.

A operação também atingiu a empresa Mali Produtos para Saúde LTDA, onde foram constatadas falhas no controle de produtos sujeitos à vigilância sanitária, armazenamento inadequado, deficiência na garantia de qualidade e ausência de validação no transporte. Segundo a Anvisa, essas condições impedem assegurar que os produtos cheguem ao consumidor final em condições seguras.

Diante da gravidade dos fatos, a produção de medicamentos estéreis da farmácia segue suspensa, e a empresa está proibida de fabricar e comercializar esses produtos até que todas as irregularidades sejam corrigidas e devidamente comprovadas junto às autoridades competentes.

Em nota, a Terapêutica Farmácia de Manipulação LTDA afirmou que recebeu a equipe de fiscalização com transparência e colaboração, destacando seus mais de 45 anos de atuação no setor. A empresa informou que as não conformidades apontadas se restringem à área de medicamentos estéreis e que já iniciou um plano de ação estruturado para correção, com acompanhamento técnico e apoio de consultoria especializada.

Ainda segundo o comunicado, a interdição tem caráter temporário e todas as medidas estão sendo adotadas com prioridade para que as atividades sejam retomadas dentro dos padrões exigidos. O caso, no entanto, acende um alerta importante: quando o controle falha na área da saúde, o risco deixa de ser técnico e passa a ser direto à vida da população.

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