Quarta-feira, Março 18, 2026
Cidades

Colisão em toboágua em São Tomé das Letras deixa homem gravemente ferido e levanta suspeita de omissão de socorro

Um momento de lazer transformou-se em um episódio de tensão, dor e investigação policial em um parque aquático de São Tomé das Letras, no Sul de Minas Gerais. Um homem de 55 anos permanece internado após sofrer um grave acidente ao descer um toboágua no Complexo de Lazer Paraíso Rural, onde acabou atingido por outro visitante que desceu pelo brinquedo logo em seguida, provocando uma violenta colisão dentro da piscina.

A vítima é o mecânico Luiz Carlos de Oliveira, que sofreu uma luxação cervical e monoparesia braquial esquerda — condição neurológica que compromete os movimentos de um dos braços. Ele está internado no Hospital São Sebastião, na cidade de Três Corações, em estado considerado grave, porém estável, aguardando transferência pelo sistema SUS Fácil para um hospital de referência capaz de realizar o tratamento especializado necessário para sua lesão, possivelmente em Varginha.

O acidente ocorreu durante a tarde de sábado. Imagens gravadas por frequentadores do parque mostram o momento exato em que a sequência de descidas acontece sem qualquer intervalo de segurança. No vídeo, Luiz Carlos é o primeiro a descer pelo toboágua. Poucos segundos depois, um segundo homem desliza pelo brinquedo e cai diretamente sobre ele na piscina. Em seguida, uma terceira pessoa também desce pelo escorregador, evidenciando que não havia controle no fluxo de usuários.

Segundo o filho da vítima, Luiz Carlos de Oliveira Júnior, o cenário no local era de completa ausência de orientação. Ele afirma que não havia monitor na parte superior do brinquedo para controlar a liberação das descidas, tampouco funcionários ou salva-vidas responsáveis por garantir a segurança dos visitantes.

De acordo com o relato da família, um dos homens que desceu pelo toboágua chegou inclusive a ultrapassar a fila, justamente porque não havia qualquer tipo de fiscalização ou organização no acesso ao brinquedo.

Após a colisão, a situação teria se agravado ainda mais pela falta de atendimento adequado. O filho relata que, ao buscar ajuda junto aos funcionários do complexo de lazer, a única assistência oferecida foi a entrega de água oxigenada e algodão.

Segundo ele, não houve acionamento de ambulância, equipe de emergência ou qualquer procedimento de primeiros socorros estruturado por parte do estabelecimento.

Diante da gravidade da situação, os próprios familiares decidiram transportar Luiz Carlos até o hospital em um carro particular — uma medida considerada arriscada em casos de possível lesão na coluna cervical, que normalmente exige imobilização adequada antes de qualquer deslocamento.

A família registrou boletim de ocorrência e passou a ser acompanhada pelo advogado Álvaro Henrique Torres Silva. Para ele, existem fortes indícios de falhas graves na prestação do serviço e possível omissão de socorro.

O advogado afirma que empreendimentos de lazer que operam piscinas e brinquedos aquáticos têm a obrigação legal de garantir a segurança dos usuários, o que inclui monitoramento adequado, controle das descidas, presença de profissionais treinados e estrutura mínima para atendimento emergencial.

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a abertura de um inquérito para investigar o caso. A apuração busca esclarecer se houve crime de lesão corporal e se o estabelecimento deixou de prestar socorro à vítima. Nos próximos dias, responsáveis pelo parque, funcionários e testemunhas devem ser ouvidos pelas autoridades.

A reportagem tentou contato com o Complexo de Lazer Paraíso Rural para obter posicionamento sobre o acidente, mas até o momento não houve retorno. Segundo familiares de Luiz Carlos, o estabelecimento também não respondeu mensagens ou ligações feitas após o ocorrido.

Enquanto a investigação avança, Luiz Carlos permanece hospitalizado, imobilizado e aguardando transferência para tratamento especializado. A família vive agora dias de apreensão, tentando entender como um simples passeio em um parque de lazer terminou em um acidente grave e em questionamentos sobre as condições de segurança oferecidas no local.

Foto: Reprodução EPTV

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