Mulher baleada pelo ex-companheiro, policial militar, morre após quase dois meses internada em Volta Redonda
A violência que chocou moradores do bairro Vila Americana, em Volta Redonda (RJ), teve um desfecho trágico nesta terça-feira, dia 17. Morreu no hospital Daiane Menezes dos Santos Reis, de 36 anos, que lutava pela vida desde que foi baleada pelo ex-companheiro, um policial militar, em janeiro. O caso, inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, deve agora ser enquadrado como feminicídio consumado.
O crime aconteceu na noite de 21 de janeiro, na Rua Haiti, no bairro Vila Americana. De acordo com as investigações, Daiane foi até o local para buscar os filhos quando houve uma discussão com o ex-companheiro, um policial militar de 39 anos, integrante do 23º Batalhão da Polícia Militar. Durante a discussão, o homem sacou uma arma e efetuou diversos disparos contra a vítima.
Daiane foi atingida no tórax, no abdômen e no braço, sofrendo ferimentos graves. O ataque aconteceu na frente dos próprios filhos do casal, o que tornou a cena ainda mais chocante. Câmeras de segurança instaladas nas proximidades registraram o momento dos disparos, e nas imagens é possível ouvir os tiros e gritos no local.
Logo após o crime, familiares socorreram a mulher e a levaram às pressas para o Hospital São João Batista, em Volta Redonda, onde ela foi internada em estado gravíssimo e encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante o período de internação, Daiane passou por diversos procedimentos médicos e enfrentou complicações decorrentes das múltiplas lesões provocadas pelos disparos.
Nos dias seguintes ao atentado, amigos e familiares iniciaram uma mobilização nas redes sociais para tentar salvar a vida da vítima, pedindo doações de sangue do tipo O negativo no hemonúcleo do hospital. A campanha mobilizou moradores da região e gerou grande comoção entre conhecidos da família.
Durante o período de recuperação, o quadro clínico apresentou momentos de melhora, mas também episódios de agravamento. Em determinado momento, Daiane precisou ser novamente intubada, passou por traqueostomia e chegou a permanecer sedada enquanto médicos investigavam infecções decorrentes dos ferimentos. Apesar do esforço da equipe médica e da esperança da família, o estado de saúde continuava considerado grave.
Daiane havia começado recentemente a trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como operadora de ponte rolante. Ela deixa dois filhos, que durante todo o período de internação permaneceram afastados da mãe e acompanhados por familiares.
Após efetuar os disparos, o suspeito fugiu de carro, mas foi localizado poucas horas depois. Uma operação conjunta das polícias militares do Rio de Janeiro e de Minas Gerais conseguiu interceptar o veículo na BR-393, na altura do distrito de Jamapará, em Sapucaia (RJ).
Com o policial foram apreendidos uma pistola calibre .40 de uso institucional, um carregador e munições, além do carro utilizado na fuga. Ele recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao sistema prisional, permanecendo à disposição da Justiça.
As investigações também apontaram que o homem já possuía histórico de violência doméstica e havia sido detido anteriormente por descumprimento de medida protetiva concedida à vítima. O caso passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Volta Redonda, responsável pelo inquérito.
Com a confirmação da morte de Daiane nesta terça-feira, o processo deverá ser atualizado para feminicídio, agravando a situação judicial do acusado, que permanece preso.
A morte da jovem mãe provocou grande repercussão nas redes sociais e entre moradores da região, reacendendo o debate sobre violência doméstica e feminicídio no país. Familiares, amigos e conhecidos prestaram homenagens e mensagens de despedida, lamentando o desfecho trágico de uma mulher que lutou pela vida por quase dois meses após o ataque.
A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes do crime.


