Tragédia no Litoral Norte: família de jovem que caiu de ônibus em movimento pede ajuda para cuidar dos filhos deixados pela vítima
A dor da perda se transformou em uma luta por justiça e assistência. A família de Renata Yassu Nakama, jovem que morreu após cair da janela de um ônibus em movimento em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, cobra providências e apoio da prefeitura e da empresa responsável pelo transporte coletivo da cidade. Sem condições financeiras para arcar com despesas essenciais, os familiares pedem ajuda principalmente para garantir acompanhamento psicológico aos dois filhos deixados por Renata.
A jovem completaria 27 anos nesta quarta-feira (11). Desde sua morte, os pais assumiram a responsabilidade de cuidar das duas crianças, que ainda enfrentam o trauma da perda repentina da mãe. Segundo o pai da vítima, Sérgio Yassu Nakama, a família vive um momento delicado e não possui recursos para oferecer o suporte emocional necessário aos netos.
“São duas crianças que estão sem a mãe e que precisam de acompanhamento psicológico, porque às vezes ficam quietas, caladas, e a gente não sabe exatamente o que estão sentindo. Mas ainda não temos condições de arcar com essas despesas”, relatou.
No início de fevereiro, a Justiça determinou, em decisão liminar, que a empresa Sancetur e a Prefeitura de São Sebastião pagassem uma pensão mensal equivalente a 2,4 salários mínimos para auxiliar na manutenção das crianças. O magistrado destacou, contudo, que a medida tem caráter provisório e poderia ser revista ou revogada ao longo do processo.
Apesar da decisão judicial, a defesa da família afirma que o pagamento ainda não foi efetivado de forma regular. Nos autos, a empresa Sancetur informou que realizou o depósito referente à sua parte diretamente em juízo.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Sebastião afirmou que acompanha o caso e que solicitou esclarecimentos à concessionária responsável pelo transporte público no município. O governo municipal também informou que realizou vistorias na garagem da empresa para inspecionar o ônibus envolvido no acidente e que as circunstâncias do ocorrido continuam sendo investigadas.
Sobre a pensão determinada pela Justiça, a prefeitura declarou que realizou depósito nos autos do processo. Já a empresa Sancetur também foi questionada sobre o cumprimento da decisão judicial, mas não apresentou manifestação até o momento.
O acidente aconteceu no dia 2 de janeiro, e imagens inéditas obtidas pela TV Vanguarda mostram o momento em que Renata caiu do coletivo. Por volta de 12h15, a jovem embarcou em um ônibus que estava lotado e permaneceu apoiada na janela, segurando a barra de apoio próxima à entrada do veículo.
Cerca de oito minutos depois, às 12h23, a janela começou a se deslocar da estrutura. Pouco mais de um minuto depois, ao passar por uma curva, Renata soltou a barra de apoio; nesse instante, a janela se desprendeu completamente e ela acabou sendo arremessada para fora do ônibus.
Após a queda, o motorista parou o veículo e passageiros desceram para prestar socorro. Renata sofreu uma forte pancada na cabeça, chegou a se levantar com ajuda de outras pessoas e foi encaminhada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu três dias depois.
O acidente ocorreu na altura da Praia das Cigarras. De acordo com registro da Polícia Militar, o motorista relatou que a jovem teria “decidido por conta própria pular a grade e ocupar um local não destinado para passageiros”. Ele também afirmou que o ônibus transportava 77 pessoas, número dentro do limite permitido.
A advogada da família, Gabriella Prado, contesta essa versão e sustenta que as imagens mostram que a passageira não foi impedida de permanecer no local pelo motorista.
Segundo ela, os registros indicam que Renata apontou para onde iria, o motorista percebeu sua movimentação e não interrompeu a viagem nem a orientou a sair da área. Durante o trajeto, ainda conforme a defesa, a jovem acabou sendo ejetada do ônibus após a janela apresentar falha estrutural.
Enquanto o caso segue sendo investigado, a família tenta lidar com o luto e com a responsabilidade de reconstruir a vida das duas crianças que ficaram sem a mãe. A principal cobrança agora é para que as decisões judiciais sejam cumpridas e que os filhos de Renata recebam o apoio necessário para enfrentar as consequências da tragédia.

