Terça-feira, Março 10, 2026
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EXUMAÇÃO REVELA LESÕES NO PESCOÇO DE SOLDADO DA PM MORTA COM TIRO NA CABEÇA EM APARTAMENTO DE SÃO PAULO

A exumação do corpo da soldado da Polícia Militar Gisele Santana, de 32 anos, realizada na sexta-feira (6) em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, trouxe novos elementos que reforçam as dúvidas sobre as circunstâncias da morte da policial, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central da capital.

Durante os trabalhos periciais, especialistas identificaram lesões no pescoço e em outras partes do corpo da vítima, o que levou os investigadores a solicitarem exames complementares para apurar se houve compressão na região cervical antes do disparo que provocou a morte da policial. A suspeita é de que possa ter ocorrido algum tipo de violência física anterior ao tiro.

No sábado (7), médicos do Instituto Médico-Legal (IML) Central realizaram novos exames de imagem no corpo da policial, incluindo tomografia, com o objetivo de analisar com maior precisão a natureza das lesões encontradas no pescoço e em outras regiões.

Gisele foi encontrada morta na manhã de 18 de fevereiro dentro do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas as inconsistências na dinâmica relatada levaram a investigação a tratar a ocorrência como morte suspeita.

Relatos de socorristas que atenderam a ocorrência levantaram dúvidas importantes sobre a versão apresentada pelo oficial. De acordo com uma vizinha do casal, um estampido semelhante a um disparo foi ouvido às 7h28 da manhã. No entanto, a primeira ligação do tenente-coronel para a Polícia Militar ocorreu apenas às 7h57, quase meia hora depois, quando ele informou que a esposa teria atirado contra a própria cabeça.

Poucos minutos depois, às 8h05, o oficial acionou o Corpo de Bombeiros, relatando que a esposa ainda estaria respirando. As equipes de socorro chegaram ao local às 8h13.

Socorristas relataram que o tenente-coronel afirmou que estava tomando banho no momento do disparo, porém os profissionais disseram ter observado que ele estava completamente seco e que não havia água espalhada no apartamento, circunstâncias que levantaram questionamentos sobre a veracidade da informação.

Outro detalhe que chamou a atenção das equipes foi o estado do corpo da vítima. Segundo os relatos, o sangue já apresentava sinais de coagulação, indicando que a morte poderia ter ocorrido há mais tempo do que o informado. Também foi constatado que nenhum cartucho de munição foi encontrado no local, algo considerado incomum em casos de disparo de arma de fogo.

Um dos socorristas afirmou ainda ter observado uma marca arroxeada na região da mandíbula da policial, o que agora ganha maior relevância diante das lesões identificadas no pescoço durante a exumação.

A investigação também apura a presença de uma terceira pessoa no prédio naquela manhã. Registros indicam que o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan esteve no local. Imagens mostram que ele chegou ao edifício às 9h07, subiu ao apartamento acompanhado do tenente-coronel e deixou o local às 9h18.

Cerca de 11 minutos depois, o oficial voltou a aparecer saindo do apartamento vestindo outra roupa. Policiais que estiveram no local também relataram que ele apresentava forte odor de produto químico.

Laudos preliminares da Polícia Científica apontaram ainda que a cena da ocorrência não foi preservada adequadamente, o que pode ter comprometido parte das análises periciais realizadas no momento inicial da investigação.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar, que aguardam os resultados dos novos exames periciais para esclarecer se houve ou não participação de terceiros na morte da soldado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso e que vem colaborando com as autoridades durante as apurações. Já a defesa do desembargador informou que ele esteve no apartamento apenas como amigo do oficial e que está à disposição para prestar esclarecimentos à polícia.

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