Comércio lidera cortes de empregos no Vale e acende alerta para o futuro das lojas físicas
O comércio e o setor de serviços foram os principais responsáveis pelo saldo negativo de empregos registrado no Vale do Paraíba em janeiro de 2026. De acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, a região fechou o mês com saldo de -2.163 vagas, resultado de 25.628 admissões contra 27.791 desligamentos. Foi o pior desempenho para um mês de janeiro desde 2017, quando o Vale havia perdido 2.185 postos de trabalho.
O setor que mais contribuiu para esse resultado foi o comércio, responsável por 1.674 vagas encerradas no primeiro mês do ano. Logo em seguida aparece o setor de serviços, com 1.118 empregos perdidos.
A retração no comércio físico ocorre em paralelo ao crescimento acelerado do comércio digital, que vem alterando o comportamento de consumo da população. Cada vez mais consumidores optam por compras online, muitas vezes atraídos por preços mais baixos e maior comodidade, o que impacta diretamente o movimento nas lojas de rua.
Em Cruzeiro, a preocupação já chegou ao centro do debate local. Recentemente, a Associação Comercial (ACC) pediu apoio à Prefeitura para buscar alternativas capazes de atrair novamente o público ao centro da cidade. Entre as propostas apresentadas estão melhorias na Praça 9 de Julho, a realização de eventos e shows mensais e outras ações que possam estimular o fluxo de pessoas e fortalecer o comércio tradicional.
A expectativa de parte da população era de que o próprio comércio também levantasse discussões consideradas delicadas, como o alto valor dos aluguéis comerciais e a diferença de preços entre produtos vendidos na loja física e no ambiente online, tema que gera questionamentos frequentes entre consumidores.
Enquanto isso, alguns setores ainda apresentaram saldo positivo. A indústria abriu 473 vagas em janeiro e a construção civil registrou 185 novos postos de trabalho. Já a agropecuária encerrou o mês com saldo negativo de 29 vagas.
Mesmo com o resultado negativo do início do ano, o Vale do Paraíba ainda mantém um volume expressivo de empregos formais. O estoque atual é de 632.287 trabalhadores com carteira assinada, número ligeiramente abaixo dos 634.450 registrados no final de 2025, representando queda de 0,34%.
Ainda assim, trata-se do segundo maior nível de empregos formais da região desde 2020. Naquele ano, no início da pandemia, o Vale registrava 525.416 trabalhadores formais. Desde então, houve um crescimento de 20,34%, com a criação de 106.871 empregos, número superior à população de 33 cidades da própria região.
O desafio agora é entender como equilibrar o avanço do comércio digital com a sobrevivência do comércio tradicional, que ainda desempenha papel importante na economia e na vida urbana das cidades do Vale.

