Fechou a torneira, mas esqueceu o vazamento: Taubaté registra superávit, porém dívida ultrapassa R$ 1 bilhão
A Prefeitura de Taubaté apresentou superávit nas contas de 2025, primeiro ano da gestão do prefeito Sérgio Victor, mas os números revelados em audiência pública realizada nesta sexta-feira, 27 de fevereiro, na Câmara Municipal, mostram que, apesar do saldo positivo, o endividamento do município cresceu ao longo do ano.
Durante o início da gestão, o prefeito Sérgio Victor utilizou a expressão “fechar a torneira” ao se referir ao compromisso de conter gastos e reorganizar as finanças do município. A fala marcou o discurso de austeridade adotado no começo do mandato. Agora, os dados indicam que, embora a torneira das despesas imediatas tenha sido parcialmente controlada, o volume da dívida estrutural ainda pressiona os cofres públicos.
O superávit foi de R$ 47,9 milhões, resultado de uma arrecadação de R$ 1,688 bilhão frente a despesas de R$ 1,644 bilhão. Em tese, um indicativo de controle fiscal. No entanto, tanto a receita quanto os gastos ficaram abaixo do que havia sido projetado na Lei Orçamentária. A previsão inicial era arrecadar R$ 1,8 bilhão, mas o município alcançou cerca de 90% desse valor. As despesas também ficaram abaixo do estimado, atingindo 87% do previsto.
Se por um lado o caixa fechou no azul, por outro a dívida total do município saltou e ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão ao final de 2025. No encerramento de 2024, último ano da gestão anterior, a dívida estava em R$ 923,3 milhões. Corrigido pela inflação, o montante equivaleria hoje a aproximadamente R$ 962,6 milhões. Mesmo assim, o número atual é superior.
Ao fim de 2025, a dívida total alcançou cerca de R$ 1 bilhão, sendo R$ 228,8 milhões em restos a pagar, dívidas de curto prazo, e R$ 779,1 milhões em dívida consolidada, que corresponde aos débitos de longo prazo.
Os dados mostram que houve redução nas dívidas de curto prazo, mas crescimento mais significativo nas obrigações de longo prazo. Dos R$ 255,5 milhões em restos a pagar deixados ao final de 2024, a Prefeitura quitou R$ 108,6 milhões, cancelou R$ 54,3 milhões e deixou R$ 92,9 milhões pendentes. No entanto, ao longo de 2025, novos R$ 135,9 milhões foram inscritos, fechando o ano com R$ 228,8 milhões a serem pagos em 2026.
Já na dívida consolidada, o principal peso recai sobre o empréstimo junto ao CAF, Banco de Desenvolvimento da América Latina, que soma R$ 396,4 milhões, sendo R$ 286,4 milhões em parcelas vencidas e não pagas e R$ 110 milhões em parcelas futuras. Também compõem o passivo de longo prazo débitos de R$ 334,3 milhões com o IPMT, R$ 19,3 milhões com a EcoTaubaté, R$ 10 milhões com a Sabesp e R$ 2,7 milhões com o Simube.
Na prática, o município conseguiu equilibrar receitas e despesas no ano, mas ainda carrega um peso estrutural significativo nas contas públicas. O desafio agora é transformar o superávit pontual em sustentabilidade fiscal de longo prazo, evitando que o crescimento do endividamento comprometa investimentos e serviços essenciais nos próximos anos.

