Sábado, Março 7, 2026
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Chuva devastadora em Angra dos Reis provoca morte de pai de família e deixa rastro de dor e destruição na Costa Verde

A força da natureza transformou a madrugada desta sexta-feira 27 em um cenário de tragédia em Angra dos Reis. Foi identificado como Marciano de Andrade Silva, de 54 anos, o homem que perdeu a vida após ser atingido por um deslizamento de terra no bairro Belém. Ele caminhava em direção ao encontro da família quando foi surpreendido pela movimentação de terra em uma encosta do Morro São Lourenço, área que sofreu com o impacto direto do temporal que caiu sobre o município.

Marciano não resistiu aos ferimentos provocados pelo soterramento. A notícia abalou moradores da região e ampliou o clima de comoção que já tomava conta da cidade desde a noite anterior, quando a chuva começou a cair de forma intensa e contínua. Em apenas 24 horas, segundo a Defesa Civil, foram registrados mais de 280 milímetros de precipitação, um volume considerado extremamente elevado e suficiente para provocar alagamentos, quedas de barreiras e deslizamentos em diferentes pontos da cidade.

Natural de Além Paraíba, no interior de Minas Gerais, Marciano deixa esposa, três filhos de 29, 26 e 12 anos e um neto de apenas 2 anos. Ele e a esposa estavam juntos há três décadas, construindo uma história marcada por união e dedicação à família. Além da mulher, dos filhos e do neto, o casal não possui outros familiares no município da Costa Verde, o que torna o momento ainda mais delicado para os que permanecem.

O corpo será transferido para sua cidade natal, onde familiares e amigos poderão prestar as últimas homenagens. A despedida acontecerá em meio a um sentimento de incredulidade diante da rapidez com que a tragédia se instalou.

Enquanto a família enfrenta o luto, a cidade segue em alerta máximo. De acordo com as informações mais recentes da prefeitura, cerca de 40 pessoas permanecem desalojadas. Muitas tiveram que deixar suas casas às pressas durante a noite, buscando abrigo em locais seguros após a elevação do nível da água ou diante do risco iminente de novos deslizamentos. Equipes da Defesa Civil continuam monitorando encostas, avaliando estruturas comprometidas e orientando moradores sobre a necessidade de evacuação em áreas consideradas vulneráveis.

A tragédia evidencia novamente a fragilidade de regiões de encosta em períodos de chuvas intensas e reacende o debate sobre prevenção, monitoramento e políticas de ocupação urbana. Em poucas horas, o que era apenas mais uma noite de chuva se transformou em um episódio de dor irreparável para uma família e em um alerta severo para toda a cidade.

Angra dos Reis amanheceu sob o peso da perda e da apreensão, convivendo simultaneamente com o luto pela morte de um trabalhador, marido, pai e avô, e com a preocupação diante da possibilidade de novos temporais. A lembrança de Marciano permanece agora na memória dos que o amavam, enquanto a cidade tenta se reerguer após mais um capítulo difícil provocado pela força das chuvas na Costa Verde fluminense.

Marciano de Andrade Silva, de 54 anos, morreu ao ser atingido por deslizamento de terra no bairro Belém

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