Comunidade de Cruzeiro cobra esclarecimentos e união para salvar Capela de Santo Antônio no Residencial dos Metalúrgicos
A história da Capela de Santo Antônio, localizada no Residencial dos Metalúrgicos, em Cruzeiro, voltou ao centro das atenções após o estado de abandono e a interdição do espaço causarem tristeza e indignação entre os moradores. Mais do que um templo religioso, a capela representa uma conquista coletiva erguida com esforço voluntário, solidariedade e a fé de uma comunidade que se uniu para construir a “Casa de Deus” dentro do próprio bairro.
A comunidade conhece a história e o sacrifício que foi levantar a capela. Ela não foi simplesmente entregue pronta. Nasceu da união de pessoas que abriram suas casas e corações, oferecendo alimento e apoio à equipe que veio de longe para ajudar na construção. Cada tijolo carrega a marca do trabalho voluntário, das quermesses e da força de quem acreditou que o bairro merecia um espaço de fé e convivência. Para muitos moradores, a capela se tornou símbolo de pertencimento e memória, cenário de missas, celebrações e casamentos, como o de Aline e seu esposo, realizado ali há quase cinco anos.
O sentimento atual é de profunda tristeza ao observar a situação da capela interditada. Moradores relatam que o espaço sempre foi uma fonte de fé e união, e vê-lo deteriorar-se é como assistir à própria história comunitária se apagar. A comparação que ecoa entre os fiéis é de que a capela foi a fonte onde todos beberam fé por anos, mas que até a fonte mais generosa pode secar se não for preservada.
Segundo relatos, a ONG Sonhar Acordado chegou a se colocar à disposição para agendar uma reunião e discutir a manutenção necessária do espaço, mas a proposta não teria avançado. A preocupação aumenta diante da possibilidade de construção de uma nova capela, maior e mais moderna, sem que a estrutura original, erguida com tanto esforço coletivo, receba os cuidados necessários. Para os moradores, nenhuma nova construção substituirá o vínculo afetivo e histórico da atual capela.
Diante do cenário, a comunidade considera fundamental que o pároco e a Diocese prestem esclarecimentos sobre os planos de manutenção do espaço e sobre o uso das contribuições destinadas à igreja. O pedido é por transparência e diálogo, para que os próprios moradores — que ajudaram a erguer o templo — possam também ser parte da solução. A mobilização busca união para preservar o patrimônio que pertence a todos e que guarda a identidade do Residencial dos Metalúrgicos.
Honrar a Casa de Deus, segundo a comunidade, é também zelar pelo teto que abriga a história de um povo. Ver o fruto de anos de esforço e arrecadações deteriorar-se é sentido como apagamento de uma luta coletiva. A interdição da capela é vista como a interdição da própria memória do bairro, e permitir que a estrutura se perca seria aceitar o esquecimento de uma conquista que definiu quem são seus moradores.
Em meio à dor, permanece a esperança de reconstrução e diálogo. O apelo é para que Santo Antônio esteja junto da comunidade e ajude todos a se reerguerem, fortalecendo a união entre fiéis, paróquia e Diocese. A pergunta que fica no coração dos moradores é simples e direta: quem pode ajudar a salvar esse patrimônio e preservar a história de fé que ali foi construída?



