Sexta-feira, Março 6, 2026
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Execução a pauladas por disputa de imóvel choca Caraguatatuba; vítima é encontrada com carnê de IPTU sobre o corpo

Um crime de extrema brutalidade, motivado por uma disputa pela posse de um imóvel, foi registrado na tarde de segunda-feira (2), em Caraguatatuba. Um homem de 45 anos, identificado como Vanilson Batista Pinheiro, foi executado com violentos golpes na cabeça, desferidos com um pedaço de madeira, dentro da residência onde morava, localizada na Rua Emiliano Campedelli, no bairro Jardim Casa Branca. A cena encontrada pelos policiais revelou um detalhe simbólico e decisivo para a investigação: um carnê de IPTU colocado sobre o corpo da vítima, evidenciando que o crime estava diretamente ligado à disputa pelo imóvel.

A Polícia Militar foi acionada após denúncias e, ao chegar ao endereço, encontrou Vanilson já sem vida, caído próximo à área da lavanderia. O imóvel apresentava sinais claros de luta corporal, com cômodos revirados, objetos espalhados e marcas de sangue, indicando que a agressão ocorreu de forma violenta e prolongada. A vítima tinha múltiplas lesões graves na cabeça, compatíveis com golpes repetidos de objeto contundente.

De acordo com o boletim de ocorrência, Vanilson era autônomo e dividia a residência com Flávio Fernandes dos Santos, de 44 anos, conhecido como “Cabelo”, que acabou preso em flagrante e indiciado por homicídio. As apurações iniciais apontaram que o imóvel seria fruto de ocupação irregular, fator que alimentava constantes conflitos entre os moradores e que teria sido o estopim para o assassinato.

Durante o atendimento da ocorrência, moradores da vizinhança apresentaram aos policiais imagens que mostram Flávio entrando na residência portando um pedaço de madeira, momentos antes do crime. O objeto foi posteriormente localizado no interior da casa, com vestígios de sangue, sendo apreendido como prova material.

Uma mulher de 36 anos, ouvida na delegacia, relatou ter presenciado o momento em que Flávio retornou ao imóvel e desferiu um golpe violento na cabeça de Vanilson. Segundo o depoimento, a discussão entre os dois começou ainda durante a madrugada e se estendeu por horas. Já pela manhã, após nova altercação, Vanilson teria tentado expulsar Flávio da casa, o que acirrou ainda mais os ânimos.

A testemunha afirmou que, diante do clima de ameaça e agressividade, tentou convencer seu companheiro, de 22 anos, também presente no local, a deixar a residência. Pouco depois, ela disse ter visto o momento exato em que Flávio atacou Vanilson com o pedaço de madeira. Em choque, a mulher fugiu do imóvel em busca de socorro.

Ainda conforme apurado pela polícia, quatro pessoas estavam na residência e faziam uso de entorpecentes. A testemunha afirmou que Flávio repetia insistentemente que ficaria com a casa “a qualquer custo”, deixando clara a motivação do crime. O carnê de IPTU encontrado sobre o corpo da vítima reforçou de forma contundente essa linha de investigação.

Durante a abordagem policial, Flávio tentou resistir à prisão, sendo necessária contenção física por parte dos agentes. Inicialmente, ele tentou atribuir a autoria do crime a outras pessoas que estavam no imóvel, versão considerada inconsistente e sem respaldo nas provas. Em depoimento, o indiciado admitiu que houve discussão, confirmou que estava exaltado e que segurava o pedaço de madeira, mas negou ter desferido o golpe fatal, alegando que teria deixado o local antes do homicídio.

As declarações, no entanto, foram desmentidas pelo depoimento firme da testemunha ocular, pelas imagens obtidas e pelas provas materiais recolhidas no local. Diante do conjunto probatório, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante por homicídio.

Em despacho, o delegado destacou que há justa causa para a prisão, afirmando que a autoria está claramente imputada a Flávio Fernandes dos Santos, com base em testemunho direto, evidências materiais e ausência de qualquer indício concreto de participação de terceiros. A polícia também representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil. Até o momento, a defesa do indiciado não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestação.

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