Jovem de 21 anos é sepultado após morrer durante abordagem policial em São José dos Campos
Familiares e amigos se despediram na manhã deste sábado (31) de Carlos Alberto Chagas Júnior, de 21 anos, que morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça durante uma abordagem policial em São José dos Campos. O sepultamento ocorreu às 10h no Cemitério Municipal Colônia Paraíso (Morumbi), no Residencial Gazzo, na região sul da cidade.
Carlos Alberto teve a morte cerebral confirmada nesta semana, dias depois de ter sido baleado na noite de domingo (25). De acordo com o registro da ocorrência, ele conduzia uma motocicleta com queixa de furto e estava sem capacete quando desobedeceu à ordem de parada. Durante a intervenção, foi atingido por um tiro na cabeça. O caso segue sob investigação.
Após a confirmação da morte cerebral, a família autorizou a doação de órgãos. Foram captados o coração, os pulmões, os rins, o fígado e as córneas, totalizando oito órgãos e tecidos que poderão beneficiar até oito pessoas que aguardavam na fila de transplantes. O procedimento foi conduzido pela equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO), em parceria com profissionais do Hospital Municipal de São José dos Campos.
O jovem deixou um filho pequeno e a companheira grávida. Segundo familiares, ele estava desempregado e havia conseguido uma oportunidade de trabalho como ajudante de pedreiro, com início previsto para a segunda-feira (26), um dia após ter sido baleado.
A investigação está a cargo da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar. No boletim de ocorrência, a intervenção é registrada como flagrante para apuração dos fatos e aponta, de forma preliminar, a existência de legítima defesa por parte do agente estatal, sem prejuízo da análise de eventual excesso, que será avaliado no curso da investigação. O documento destaca que imagens de câmeras corporais poderão contribuir para o esclarecimento do ocorrido.
O boletim também informa que uma arma de fogo foi localizada próxima ao local onde Carlos Alberto foi atingido. O objeto, um revólver calibre 38 com dois cartuchos íntegros, foi apreendido, lacrado e relacionado ao suspeito no registro policial. O armamento utilizado pelo agente que efetuou o disparo também foi apreendido para perícia.
A família contesta a versão de que o jovem estivesse armado. De acordo com parentes, a motocicleta teria sido emprestada por um amigo e Carlos teria fugido da abordagem por medo. “Ele errou ao fugir, sabemos disso, mas não estava armado. Estão dizendo que ele atirou, o que não aconteceu”, afirmou uma tia, que cobra justiça e espera que a investigação esclareça os fatos.
Nas redes sociais, familiares e amigos publicaram mensagens de despedida e homenagens, lamentando a morte precoce do jovem e destacando lembranças da convivência e da vida interrompida aos 21 anos.


