Mulher teria sido atraída para emboscada pelo ex: Polícia trata desaparecimento como feminicídio
A Polícia Civil investiga o desaparecimento de Michelle Augusto Mariano, de 41 anos, ocorrido em Bragança Paulista, como um possível caso de feminicídio. A principal linha de apuração aponta que a vítima foi atraída de forma premeditada para um encontro com o ex-companheiro, Wesley de Brito Nascimento, de 33 anos, que foi preso sob suspeita de assassinato e ocultação de cadáver. O corpo da mulher ainda não foi localizado.
De acordo com os investigadores, no dia do desaparecimento, Michelle mentiu à família sobre o destino. Ela disse que iria se encontrar com uma pessoa chamada Rafael, nome que não existe e que não foi localizado durante as diligências realizadas pela polícia em Bragança Paulista. Para os policiais, a informação falsa indica que a vítima tentou ocultar o verdadeiro encontro, reforçando a suspeita de que ela foi atraída pelo ex-companheiro.
Segundo o delegado seccional Sandro Montanari, responsável pelas investigações, os elementos reunidos até agora indicam que o suspeito pode ter criado uma situação para atrair Michelle até o local do crime. A polícia trabalha com a hipótese de que o nome fictício tenha sido utilizado justamente para evitar desconfianças da família. Para a investigação, há fortes indícios de premeditação.
Desde o início do caso, o ex-companheiro figurava como principal suspeito. Michelle possuía uma medida protetiva contra Wesley e havia encerrado o relacionamento meses antes, após uma série de episódios de violência doméstica registrados em Bragança Paulista. Há relatos de ameaças recorrentes, inclusive áudios, que agora fazem parte do inquérito policial.
O comportamento do suspeito após o desaparecimento também chamou a atenção da polícia. Familiares da vítima foram até a residência de Wesley, em Bragança Paulista, em busca de informações e, pouco tempo depois, ele deixou a cidade. A polícia passou a monitorar seus deslocamentos e confirmou que ele estava em fuga no momento em que foi localizado e preso. Segundo os investigadores, a tentativa de escapar reforça a suspeita de envolvimento direto no crime.
A prisão ocorreu após o irmão do suspeito procurar a Guarda Civil Municipal de Itapevi, na Grande São Paulo, e relatar que Wesley teria confessado o crime. Com base nessa denúncia, a Polícia Civil realizou diligências na residência do investigado, onde encontrou vestígios de sangue e sinais de que houve fogo no interior do imóvel, indicando possível tentativa de destruição de provas.
Durante as apurações, um colchão mencionado na denúncia não foi localizado na casa, o que fortalece a suspeita de ocultação do corpo. As buscas seguem concentradas em áreas próximas ao Rio Atibaia, que corta a região de Bragança Paulista. Para a polícia, mesmo sem a localização do corpo, o conjunto de indícios é considerado consistente.
Wesley de Brito Nascimento permanece preso na cadeia pública de Piracaia, onde aguarda audiência de custódia. A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer completamente as circunstâncias do crime e localizar o corpo de Michelle Augusto Mariano.


