Caso Leo Bonafé avança: Justiça ouve testemunhas contra suspeito apontado como elo da execução em Taubaté
A investigação sobre a morte do advogado criminalista Leonardo Bonafé entra em mais um capítulo decisivo. A Vara do Júri de Taubaté realiza, na próxima segunda-feira, às 13h30, uma audiência para ouvir as testemunhas arroladas pela acusação contra Cristiano Teodoro Ribeiro, conhecido como Crisinho, apontado pela Polícia Civil como peça-chave na engrenagem que culminou na execução do jovem advogado.
Preso aos 42 anos, Crisinho foi detido no fim de julho do ano passado, inicialmente por mandado de prisão temporária, posteriormente convertido em prisão preventiva. A defesa tentou reverter a medida, mas a custódia foi mantida tanto pelo Tribunal de Justiça de São Paulo quanto pelo Superior Tribunal de Justiça, reforçando o entendimento de que há elementos suficientes para mantê-lo detido enquanto o caso avança.
A audiência ocorrerá de forma semipresencial, por meio de plataforma digital, e deve aprofundar as acusações de que Crisinho teria intermediado a compra e a entrega do veículo utilizado no crime, um Jeep Renegade preto, peça central na dinâmica da execução. Leonardo Bonafé tinha 25 anos quando foi assassinado a tiros no bairro Três Marias, no momento em que chegava ao escritório da família, onde trabalhava. O carro usado no ataque emparelhou com o veículo da vítima, e pelo menos seis disparos foram efetuados. Leonardo morreu no local.
O caso ganhou novos contornos após o julgamento realizado em setembro do ano passado, quando dois réus acusados de envolvimento indireto no homicídio foram absolvidos pelo júri popular. Carlos Ramon da Silva Gonçalves, conhecido como Baixinho, e Marcelo Henrique Carvalho Coppi foram apontados pelo Ministério Público como responsáveis pela preparação do crime e pelo fornecimento do carro aos executores, embora não tenham sido os autores dos disparos. O MP recorreu da decisão, sustentando que o veredicto contrariou as provas constantes nos autos e pedindo a nulidade do julgamento.
Durante o processo, Carlos Ramon afirmou em depoimento que entregou o Jeep Renegade a Crisinho por volta das 7h50 do dia do crime, declaração que deve pesar na oitiva das testemunhas marcada para a próxima semana.
Enquanto isso, o inquérito segue em andamento. A Polícia Civil ainda trabalha para identificar com precisão quem efetuou os disparos e quem conduzia o veículo no momento da execução, além de esclarecer a motivação do assassinato. Apuração do OVALE aponta que um homem de 47 anos foi alvo de mandado de busca e apreensão em Taubaté, suspeito de ser o executor. Ele já prestou depoimento e permanece sob investigação. Esse mesmo homem seria o proprietário do carro que teria ido até Pindamonhangaba buscar Carlos Ramon, em um dos movimentos que antecederam o crime.
O assassinato de Leonardo Bonafé continua cercado de peças soltas, e a audiência desta semana pode ser determinante para esclarecer o papel de cada envolvido e aproximar o caso de uma resposta definitiva da Justiça.


