Da UTI à esperança: mulher queimada em incêndio criminoso reage e dá passo decisivo na recuperação em Poços de Caldas
A história marcada por violência, dor e medo começa, pouco a pouco, a ganhar contornos de superação em Poços de Caldas. A mulher de 31 anos que sofreu queimaduras em um incêndio provocado pelo próprio companheiro apresentou evolução consistente no estado de saúde e deixou a Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa do município. A transferência para a ala A do hospital, realizada nesta sexta-feira, representa um marco importante em um processo de recuperação que ainda exige cuidados, mas já permite vislumbrar esperança.
A paciente teve cerca de 15% do corpo atingido pelas chamas e permaneceu em estado grave desde o dia do crime, necessitando de suporte intensivo, monitoramento constante e acompanhamento de uma equipe especializada. Segundo informações da Santa Casa, mesmo fora da UTI, ela segue internada, sendo acompanhada por profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos. O tratamento continua em andamento, mas a avaliação clínica aponta uma resposta positiva do organismo, o que reforça o otimismo cauteloso da equipe.
A melhora da mulher também traz alívio diante de um episódio que chocou a cidade e mobilizou autoridades e a opinião pública. No mesmo incêndio, a filha da vítima, uma menina de apenas 2 anos, também sofreu queimaduras. A criança chegou a ficar internada na UTI pediátrica, em estado delicado, mas apresentou evolução mais rápida e já havia deixado a terapia intensiva anteriormente. Atualmente, ela permanece em um quarto da ala pediátrica, em recuperação, sob cuidados médicos e acompanhamento contínuo.
O caso aconteceu no bairro São José, quando um homem de 37 anos foi preso suspeito de atear fogo na própria residência com a companheira e a filha dentro do imóvel. Mãe e filha foram socorridas em estado grave e encaminhadas às pressas para a Santa Casa, onde precisaram ser intubadas. A gravidade da ocorrência levou o registro policial a enquadrar o crime como tentativa de feminicídio, evidenciando mais um episódio extremo de violência doméstica.
Desde então, o caso passou a simbolizar não apenas a brutalidade do crime, mas também a luta pela vida travada dentro do hospital. A saída da UTI, tanto da mãe quanto da criança, não significa o fim do tratamento, mas representa uma virada significativa no quadro clínico das duas. É o sinal de que, mesmo após um ato violento e devastador, a resistência do corpo e o trabalho da equipe de saúde começam a prevalecer.
A recuperação segue passo a passo, ainda cercada de cuidados e atenção, mas cada avanço reforça a esperança de que mãe e filha consigam reconstruir suas vidas após um dos episódios mais traumáticos registrados recentemente no município.


