Tiros, farda e terror diante dos filhos: policial militar é preso por suspeita de tentar matar a ex-companheira em Volta Redonda
Uma noite de horror marcou o bairro Vila Americana, em Volta Redonda, quando uma mulher de 36 anos teria sido alvo de ao menos seis disparos efetuados pelo ex-companheiro, um policial militar, em plena via pública e diante dos próprios filhos. O crime aconteceu na quarta-feira (21) e foi registrado como suspeita de tentativa de feminicídio, sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
A Polícia Militar foi acionada após moradores relatarem disparos na Rua Haiti. No local, os agentes apuraram que o suspeito, de 39 anos, teria atirado diversas vezes contra a ex-companheira após uma discussão e fugido em seguida em um carro. Informações reunidas pela Deam indicam que a mulher havia ido buscar os filhos na casa do ex-companheiro quando teria sido atacada, numa cena de extrema violência presenciada pelas crianças.
A perícia recolheu três estojos de munição calibre .40, compatíveis com a arma apreendida. Ainda segundo a delegacia, o policial já acumulava um histórico preocupante, com pelo menos três registros de descumprimento de medida protetiva. Ele chegou a ser preso em julho de 2025, mas acabou colocado em liberdade em novembro do mesmo ano.
Gravemente ferida, a vítima foi socorrida e levada ao Hospital São João Batista. A unidade informou que ela deu entrada em estado grave, com choque hemorrágico, hipotensão e taquicardia. A mulher passou por uma cirurgia de emergência e apresentava múltiplas lacerações em órgãos internos, permanecendo sob cuidados intensivos.
Após a fuga, o suspeito foi localizado e preso na quinta-feira (22) por equipes da Polícia Militar de Três Rios e de Minas Gerais enquanto trafegava pela BR-393, no km 105, em Jamapará, distrito de Sapucaia. Durante a abordagem, os policiais apreenderam uma pistola calibre .40, 11 munições intactas, um carregador e o veículo que teria sido usado na fuga. O homem foi preso em flagrante.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Volta Redonda. O acusado passará por audiência de custódia na Cadeia Pública da cidade e, posteriormente, deverá ser transferido para o Presídio da Polícia Militar, o Presídio Romão Gomes, em São Paulo.
A suspeita de tentativa de feminicídio envolvendo um policial militar escancara uma das faces mais graves da violência de gênero: aquela praticada por quem deveria proteger a vida e garantir o cumprimento da lei. Quando um agente do Estado é apontado como autor de um crime dessa natureza, o episódio ultrapassa o âmbito individual e se transforma em uma ferida institucional e social.
A farda não pode servir como escudo moral ou jurídico. Ao contrário, exige responsabilidade ainda maior. Casos como este expõem falhas no controle, no acompanhamento e na prevenção dentro das instituições de segurança pública, além de reforçarem a urgência de políticas efetivas de combate à violência contra a mulher.
O enfrentamento ao feminicídio passa pelo reconhecimento de que esses crimes não são atos isolados, mas reflexo de uma cultura que ainda normaliza o controle e a agressão. Quando o agressor é suspeito de ser um policial, o dever do Estado é redobrado: apurar com rigor, garantir transparência e aplicar a lei de forma igual, sem privilégios ou seletividade.


