STALKER INTERNACIONAL: Mineiro é indiciado pela PF por perseguição virtual, falsa identidade e vazamento de fotos íntimas de mexicana
A Polícia Federal concluiu o inquérito que apurou um caso grave de perseguição virtual com alcance internacional e indiciou um homem de 29 anos, morador de Varginha, no Sul de Minas Gerais. Segundo a investigação, ele perseguiu de forma sistemática uma cidadã mexicana, residente na cidade de Chihuahua, entre os anos de 2020 e 2023, utilizando redes sociais e identidades falsas para intimidar, difamar e expor a vítima.
De acordo com a PF, as investigações avançaram de forma decisiva após o cumprimento de um mandado judicial na residência do suspeito, em 15 de fevereiro de 2023. Na ocasião, computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos. O material passou por perícia técnica detalhada, que reuniu provas consideradas robustas para a conclusão do inquérito.
A vítima foi ouvida por meio de Acordo de Cooperação Internacional, instrumento que permitiu a colheita do depoimento diretamente do México. À Polícia Federal, ela relatou que passou a ser perseguida de maneira reiterada e constante após o término de um relacionamento com o investigado. Segundo o relato, a perseguição envolvia o envio insistente de mensagens, criação de perfis falsos em redes sociais e a divulgação de fotografias íntimas sem qualquer consentimento.
Ainda conforme apurado, a exposição do material teria ocorrido com o objetivo de humilhar e difamar a vítima, ampliando o sofrimento psicológico e o impacto emocional da perseguição. As ações caracterizam, segundo a PF, um padrão típico de cyberstalking, com uso do ambiente digital para manter o controle e a intimidação à distância.
Com base nas provas extraídas dos equipamentos apreendidos e no depoimento da vítima, a Polícia Federal concluiu pelo indiciamento do investigado pelos crimes de perseguição (artigo 147-A do Código Penal), divulgação de cena íntima sem consentimento, conhecida como pornografia não consensual (artigo 216-C), e falsa identidade (artigo 307). Somadas, as penas previstas podem chegar a até 15 anos de reclusão.
O inquérito policial foi encaminhado à Justiça Federal, que agora analisará o material reunido e decidirá sobre o prosseguimento da ação penal, incluindo eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
Entenda o crime de stalking
O stalking é caracterizado pela perseguição reiterada que invade a privacidade da vítima e causa medo, constrangimento ou abalo psicológico, podendo restringir sua liberdade ou alterar sua rotina. O crime pode ocorrer tanto de forma presencial quanto no ambiente digital, caso conhecido como cyberstalking. Desde 2021, a prática é tipificada no Código Penal Brasileiro e prevê pena de reclusão e multa. Situações envolvendo perseguição constante, mensagens insistentes, vigilância excessiva ou ameaças devem ser denunciadas às autoridades policiais.


