Sexta-feira, Março 6, 2026
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“Meu filho não volta, mas outras crianças podem ser salvas”: dor e revolta marcam despedida de menino levado por enxurrada em Pouso Alegre

A dor da perda se misturou à indignação durante a despedida de João Miguel Marques, de apenas 7 anos, encontrado sem vida após ser arrastado pela enxurrada que atingiu o bairro Jardim Primavera, em Pouso Alegre, no Sul de Minas. O menino estava desaparecido desde a tarde de quinta-feira (15) e foi localizado no Rio Mandu após cerca de 42 horas de buscas intensas, mobilizando equipes de resgate e comovendo toda a cidade.

Em meio ao luto, a família transformou o velório e o sepultamento em um ato de apelo. Vestidos com camisetas estampadas com a imagem de João Miguel caracterizado como um anjo, parentes e amigos pediram providências urgentes para evitar que novas tragédias se repitam no mesmo local. Para eles, a morte do garoto não foi apenas um acidente, mas o resultado da falta de proteção em um ponto já conhecido como perigoso.

A mãe, Tamires Aparecida Marques, falou com a voz embargada ao lembrar da alegria do filho e da inocência que o levou até o córrego. Segundo ela, João Miguel era daqueles meninos que iluminavam qualquer ambiente, sempre sorridente, mesmo nos dias difíceis. “Eles foram lá porque criança é inocente, não sabe de nada. Ele sempre foi uma criança alegre, feliz. Podia estar no pior dia, ele sempre estava rindo”, desabafou.

O pai, o autônomo Wellington Silvério, foi direto ao apontar o que, para ele, poderia ter evitado a tragédia. De acordo com Wellington, a manilha por onde o menino foi sugado pela força da água não possui qualquer tipo de grade ou barreira de proteção. “O local onde meu filho caiu tinha que ter uma proteção. Não tinha proteção nenhuma. Hoje foi o meu filho, amanhã pode ser o filho de outra pessoa, outra criança inocente. Se tivesse a grade na porta do bueiro, não tinha acontecido o que aconteceu”, afirmou.

A comoção tomou conta do bairro e reacendeu o debate sobre segurança em áreas de risco, especialmente em períodos de chuvas intensas. Para a família, nenhuma medida trará João Miguel de volta, mas a esperança é que a dor sirva de alerta e resulte em ações concretas para proteger outras crianças. O pedido é simples e urgente: que a tragédia de João Miguel não seja esquecida e que o poder público intervenha antes que novas vidas sejam interrompidas pela falta de prevenção.

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