Trânsito em colapso: Vale do Paraíba tem disparada de mortes, registra pior cenário desde 2016 e expõe falhas estruturais
O trânsito do Vale do Paraíba atingiu em 2025 um patamar alarmante e voltou a registrar números comparáveis aos piores momentos da última década. Dados oficiais do Infosiga, sistema do Detran-SP, mostram que 398 pessoas morreram em acidentes de trânsito na região entre janeiro e dezembro, o maior número desde 2016, quando foram contabilizadas 412 vítimas fatais. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (16) e acendem um alerta vermelho para autoridades, gestores públicos e para a própria sociedade.
Em relação a 2024, quando o Vale havia registrado 382 mortes, o crescimento foi de 4,2%. Embora o percentual possa parecer pequeno à primeira vista, ele representa 16 vidas a mais perdidas em apenas um ano e confirma uma tendência preocupante de aumento da letalidade no trânsito regional, após um período de relativa estabilidade nos números.
O levantamento do Infosiga revela que o problema não está concentrado em um único município, mas espalhado por toda a região, refletindo um conjunto de fatores que vai desde o crescimento da frota, falhas na fiscalização, imprudência de motoristas e motociclistas, até problemas estruturais nas vias urbanas e rodovias que cortam o Vale do Paraíba.
São José dos Campos aparece no topo do ranking regional, com 77 mortes em 2025. Apesar de liderar a lista, o município apresentou uma redução de 6% em comparação a 2024, quando foram registradas 82 vítimas fatais. A queda, embora relevante, ainda mantém a cidade como a mais letal do Vale em números absolutos, reflexo do grande fluxo de veículos, da extensa malha viária e da intensa circulação entre bairros e cidades vizinhas.
Taubaté surge em seguida com um dado que chama ainda mais atenção. O município registrou 45 mortes no trânsito em 2025, contra 36 no ano anterior, um aumento expressivo de 25%. O número é o mais alto desde 2020, quando Taubaté havia contabilizado 46 óbitos, evidenciando uma deterioração recente no cenário da segurança viária local.
Os dados também traçam um retrato claro de quem são as principais vítimas. Os motociclistas seguem como o grupo mais vulnerável do trânsito no Vale do Paraíba. Das 398 mortes registradas em 2025, 166 envolviam pessoas que estavam em motocicletas no momento do acidente, o equivalente a 41,7% do total. O índice reforça uma realidade já conhecida: a combinação entre motocicletas, alta exposição, velocidade e, muitas vezes, uso do veículo para trabalho diário aumenta significativamente o risco de morte.
Na sequência aparecem os ocupantes de automóveis, com 89 vítimas fatais. Os pedestres também figuram entre os mais atingidos, com 64 mortes, evidenciando falhas na proteção de quem circula a pé, seja por falta de travessias seguras, sinalização adequada ou respeito às leis de trânsito. Os ciclistas somaram 44 mortes ao longo do ano, número que também preocupa diante do crescimento do uso da bicicleta como meio de transporte.
O Infosiga aponta ainda que 18 pessoas morreram em acidentes envolvendo caminhões e outras três estavam em ônibus no momento das ocorrências. Em 14 casos, não foi possível identificar o tipo de veículo, o que indica limitações no registro das informações e reforça a necessidade de aprimoramento na coleta de dados.
O histórico dos últimos anos mostra que o Vale do Paraíba vinha oscilando entre altas e quedas, mas sempre mantendo números elevados. O salto registrado em 2025 consolida a região novamente entre as mais críticas do Estado de São Paulo quando o assunto é segurança viária, trazendo à tona questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas adotadas até agora.
Especialistas apontam que o cenário é resultado de um conjunto de fatores: aumento da frota, crescimento do uso de motos para entregas, imprudência, consumo de álcool, excesso de velocidade, fiscalização insuficiente e infraestrutura viária que não acompanhou o crescimento urbano. Sem mudanças estruturais, campanhas permanentes de conscientização e reforço na fiscalização, a tendência é de que os números continuem elevados.
O balanço de 2025 não é apenas estatística. Ele representa quase 400 famílias impactadas por perdas irreversíveis e escancara a urgência de ações mais firmes para evitar que o trânsito continue sendo uma das principais causas de morte no Vale do Paraíba.

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