CHACINA QUE MARCOU O INTERIOR PAULISTA: assassino da própria família tem pena extinta após três décadas de prisão
Condenado por um dos crimes mais brutais já registrados no interior de São Paulo, Gustavo Pissardo teve a pena oficialmente extinta pela Justiça paulista após cumprir integralmente a condenação. A decisão consta em despacho publicado em maio de 2025 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), encerrando definitivamente um processo que atravessou mais de 30 anos e marcou gerações pela violência e pela frieza dos atos cometidos.
Gustavo foi condenado por matar os próprios pais e a irmã em São José dos Campos, além dos avós em Campinas, em uma sequência de crimes que chocou o país. Preso em 5 de outubro de 1994, após pedido de prisão preventiva da Polícia Civil de São José dos Campos, ele foi encaminhado à Casa de Custódia de Taubaté e, desde o início, afirmou não saber explicar o motivo das execuções.
O primeiro julgamento, realizado em 1997, resultou em condenação de 63 anos de prisão. Após recursos da defesa, um novo júri ocorreu em 1998, reduzindo a pena para 42 anos, 7 meses e 6 dias, em regime fechado. Segundo o TJ-SP, após sucessivas negativas, Gustavo obteve progressão ao regime semiaberto em 2008 e passou ao regime aberto em 2014. Embora o término da pena estivesse inicialmente previsto para 2033, revisões no cálculo anteciparam o cumprimento total para 2025. Em 22 de outubro de 2025, o processo foi arquivado definitivamente e classificado como pena extinta pelo sistema do Judiciário.
Os crimes ocorreram na madrugada entre 29 e 30 de setembro de 1994, no bairro Bosque dos Eucaliptos, na região sul de São José dos Campos. À época com 21 anos, Gustavo matou a tiros os pais e a irmã dentro da casa da família. Na manhã seguinte, pegou o carro e seguiu até Campinas, onde confessou os assassinatos aos avós, de 74 e 64 anos, e os matou em seguida. As investigações apontaram que ele ainda pretendia matar tios e primos, totalizando mais quatro vítimas, mas desistiu do plano e retornou a São José dos Campos.
Após os crimes, ele chegou a combinar uma viagem a Caraguatatuba com a namorada para passar o fim de semana no litoral. A rotina só foi interrompida quando o caso veio à tona e a polícia descobriu a chacina, provocando a prisão e o início de um dos processos criminais mais emblemáticos da história recente da região.
Na época, Gustavo era descrito como um jovem trabalhador, esportista, bom estudante e sem histórico de uso de drogas ou álcool. Namorava havia poucos meses e, segundo relatos colhidos durante as investigações, levava uma vida considerada comum, o que aumentou ainda mais o impacto do crime.
Após cumprir toda a pena, Gustavo passou a viver em Sorocaba, no interior paulista, onde constituiu família e mantém vida discreta. Registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) indicam que ele possui uma empresa aberta em seu nome no ramo de serviços de pintura em edificações, constituída em agosto de 2017, com capital social de R$ 3 mil, aparentemente funcionando em endereço residencial no bairro Jardim Gutierres.
Também consta em registros públicos que, em janeiro de 2017, foi publicado edital de proclamas em cartório de Sorocaba informando sua intenção de casamento. À época, ele se declarava serralheiro, enquanto a futura esposa aparecia como auxiliar de cobrança.
Pouco se sabe sobre sua rotina atual. Informações apuradas indicam que Gustavo leva uma vida reservada, evita exposição e não concede entrevistas. De modo geral, seu nome raramente aparece na imprensa local, encerrando, ao menos judicialmente, um dos capítulos mais sombrios da crônica policial paulista.


