Encenação desmontada: marido é preso suspeito de matar a esposa e tentar forjar latrocínio em Pouso Alegre
O que inicialmente foi apresentado como um suposto roubo seguido de morte acabou desmoronando diante das contradições apuradas pela Polícia Militar. Uma mulher foi encontrada morta dentro da própria casa, no bairro Jardim Inconfidentes, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, e o marido foi preso em flagrante, suspeito de cometer o crime e tentar simular um latrocínio para despistar a investigação. O caso é tratado como feminicídio e já figura como o terceiro registrado na região neste ano.
De acordo com o boletim de ocorrência, Renata Cardoso de Oliveira foi localizada caída no chão de um dos quartos da residência, com um corte profundo no pescoço. O corpo estava parcialmente apoiado entre a cama e o piso, indicando que a vítima pode ter tentado se mover antes de morrer. O Corpo de Bombeiros foi acionado e confirmou o óbito no local. A área foi imediatamente isolada para os trabalhos da perícia técnica, que realizou os primeiros levantamentos para subsidiar as investigações.
No local, o marido apresentou uma versão considerada suspeita pelos policiais. Ele relatou que teria chegado do trabalho e não encontrado a esposa em casa, acreditando que ela havia saído, já que a motocicleta não estava na garagem. Segundo o relato, ele teria permanecido na residência realizando tarefas domésticas e, em determinado momento, saiu para fumar, quando comentou com o cunhado que não sabia onde a mulher estava.
Ainda conforme a narrativa apresentada à Polícia Militar, ele e o cunhado teriam aberto uma janela do quarto e avistado Renata caída ao lado da cama. Disse que tentou abrir a porta do cômodo com uma chave encontrada próxima, mas, como não conseguiu, a porta teria sido arrombada com o uso de uma marreta. O suspeito afirmou que tentou puxar a esposa, mas entrou em desespero ao perceber o ferimento no pescoço e constatar que ela já estava sem vida, pedindo ajuda a vizinhos em seguida.
A primeira tentativa de explicação para o crime foi a de um suposto roubo seguido de morte. O marido alegou que a motocicleta da vítima teria sido levada pelo autor do homicídio. No entanto, essa versão começou a ruir quando o veículo foi localizado a cerca de 200 metros da residência, escondido em um matagal. A motocicleta foi periciada e removida para um pátio credenciado do Detran-MG.
Durante as diligências, novas inconsistências vieram à tona. A mãe da vítima e a cuidadora afirmaram à polícia que apenas o genro esteve na casa durante a tarde, contrariando a ideia de que outras pessoas pudessem ter tido acesso ao imóvel. Uma testemunha ainda relatou que o suspeito teria saído da residência conduzindo a motocicleta e retornado a pé, versão totalmente diferente da apresentada por ele aos policiais.
Outro ponto que chamou a atenção dos militares foi a questão da porta do quarto. Embora o marido tenha afirmado que não conseguiu abri-la com a chave encontrada, os policiais constataram no local que a mesma chave abriu a porta normalmente, sem qualquer dificuldade, enfraquecendo ainda mais o relato apresentado.
Diante do conjunto de indícios, das contradições sucessivas e das informações colhidas no local, o homem foi preso em flagrante, suspeito de feminicídio. O caso segue agora sob responsabilidade da Polícia Civil, que aprofunda as investigações para esclarecer a dinâmica do crime e a motivação do assassinato.


