18 mortos em 48 horas: Vale do Paraíba vive sequência de tragédias que interrompe vidas, sonhos e histórias
A virada do ano foi marcada por dor e comoção no Vale do Paraíba. Em um intervalo de apenas 48 horas, 18 pessoas morreram na região em decorrência de homicídios, acidentes de trânsito, afogamentos e ocorrências domésticas. Não são números frios. Cada morte carrega um nome, uma história interrompida e famílias que passaram o Ano-Novo mergulhadas no luto.
Entre as vítimas está Andreia Duque da Cunha, de 17 anos, em São José dos Campos. Jovem devota, estudante dedicada e coroinha da comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro Canindu 1, Andreia morreu após um grave acidente envolvendo uma motocicleta e um ônibus. Ela estava a poucos dias de completar 18 anos e era vista como símbolo de fé, educação e esperança pela comunidade.
Também na cidade, a adolescente Eva Sophia Santos Silva, de 16 anos, teve a vida brutalmente interrompida. Ela foi morta a golpes de faca em via pública, em um crime investigado como feminicídio. O ex-namorado foi preso e teve a prisão preventiva mantida, mas a violência deixou uma ferida aberta e reacendeu o debate sobre a proteção de meninas e mulheres.
A lista de mortes inclui ainda José Fabio de Lima Clementino, de 43 anos, assassinado a tiros em Guaratinguetá, executado em via pública antes mesmo da chegada do socorro. Em Jacareí, um homem de 33 anos morreu após ser atropelado por um caminhão no pátio de um posto às margens da rodovia Presidente Dutra.
No Litoral Norte, as tragédias se multiplicaram. Em São Sebastião, a jovem Gabriela Rytenband Doll, de 19 anos, morreu após um grave acidente com um quadriciclo na Barra do Una. Na mesma cidade, um turista de 29 anos morreu afogado na Praia de Camburi durante a madrugada. Ainda ali, André Luis Bueno, de 37 anos, morreu em um acidente na rodovia Rio-Santos, após colisão envolvendo uma motocicleta e um carro.
Em Ubatuba, duas tragédias marcaram o período. O menino Heitor, de apenas 5 anos, morreu após se afogar em uma piscina, apesar das tentativas de reanimação. Já na rodovia Rio-Santos, um grave acidente envolvendo duas motocicletas e um automóvel resultou na morte de dois policiais militares: o soldado Pedro Fernando dos Santos Soares e o soldado Luiz Daniel Vieira Nozzolillo, ambos do 22º BPM/M, gerando profunda comoção entre colegas de farda e moradores da região.
Em Pindamonhangaba, três mortes chocaram a cidade. O trabalhador Estêvão da Silva Alves Rodrigues, de 24 anos, morreu após o desabamento de um galpão durante uma demolição. Lucas dos Santos Alves, de 27 anos, foi morto a tiros em via pública. Já Lucas Giovane Celestino dos Santos, de 25 anos, perdeu a vida em um acidente de moto após colidir contra uma cerca.
A violência também atingiu Canas, onde um homem foi assassinado durante a madrugada. Em Lorena, João Pedro da Silva foi morto a tiros e chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Outra morte registrada foi a de Donizete de Carvalho Teixeira, de 52 anos, novamente em Guaratinguetá, atingido por um trem e que morreu após dar entrada na unidade de saúde. Em Natividade da Serra, um motociclista de 29 anos morreu após colidir violentamente contra a traseira de um trator em uma rodovia estadual.
Ao todo, são 18 vidas perdidas em apenas dois dias. Crianças, adolescentes, jovens, adultos, trabalhadores, turistas e policiais. Histórias interrompidas por violência, imprudência, falhas humanas e acidentes evitáveis. O Vale do Paraíba entrou o ano em luto, com famílias tentando compreender ausências irreparáveis.
Mais do que um balanço trágico, a sequência de mortes escancara problemas antigos e urgentes: segurança no trânsito, combate à violência, proteção à infância e à mulher, fiscalização de obras e prevenção de acidentes domésticos. Enquanto o tempo segue, ficam o silêncio das casas enlutadas e a pergunta que insiste em ecoar: quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que a tragédia deixe de se repetir?


