Sexta-feira, Março 6, 2026
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Descaso após a tragédia em Passa Quatro: falhas da funerária impedem velório e despedida digna de Jeová e geram revolta na família

A tragédia ocorrida em Passa Quatro não terminou com o resgate do corpo. A dor da família de Jeová, de 55 anos, foi agravada por uma sequência de falhas atribuídas ao serviço funerário responsável pelo traslado, culminando em um cenário de desespero que impediu qualquer despedida digna.

Jeová morreu ao tentar salvar a filha, de 13 anos, após ela se desequilibrar e cair na água da cachoeira Poço Paraíso. O corpo permaneceu aproximadamente 24 horas submerso até ser localizado pelo Corpo de Bombeiros, a cerca de oito metros de profundidade. Diante dessas condições, os protocolos técnicos de conservação eram indispensáveis antes de qualquer transporte de longa distância.

Após a liberação pelas autoridades, o traslado ficou sob responsabilidade da Funerária Central de Passa Quatro. O corpo foi levado até Palmas de Monte Alto, em uma viagem de cerca de 17 horas. Segundo informações apuradas, não foi realizado o procedimento de tanatopraxia, técnica considerada obrigatória em traslados prolongados, sobretudo em casos de afogamento e longa permanência do corpo na água. Há ainda relatos de que o transporte teria ocorrido sem veículo funerário refrigerado.

O momento mais chocante ocorreu na chegada ao destino. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o instante em que o caixão é aberto na funerária da cidade baiana, onde mais de 100 pessoas aguardavam para o velório. As imagens registram o desespero: ao verem o estado do corpo de Jeová, familiares saem correndo, desesperados, diante de forte mau cheiro, sinais avançados de deterioração e presença de bichos.

Diante da situação extrema, o caixão precisou ser lacrado imediatamente, e o sepultamento ocorreu sem velório, impedindo que familiares, amigos e a comunidade pudessem se despedir. O momento que deveria ser de oração e acolhimento se transformou em choque coletivo, revolta e profunda dor.

A indignação foi expressa por um familiar, que questionou diretamente a empresa acionada desde o início da ocorrência.

Para a família, o sentimento é de descaso, negligência e quebra de confiança. Um pai que morreu em um ato extremo de amor, tentando salvar a própria filha, acabou privado até do direito básico a um último adeus. O caso levanta questionamentos sobre a fiscalização, a estrutura e o cumprimento de protocolos técnicos por parte dos serviços funerários, sobretudo quando acionados por órgãos oficiais.

A família avalia medidas cabíveis. Enquanto isso, permanece a revolta de uma comunidade inteira que presenciou não apenas uma tragédia, mas também a falha de um serviço que deveria garantir respeito, dignidade e humanidade no momento final.

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