Polícia aponta negligência contínua e uso de drogas antes da morte de bebê em Ubatuba
A Polícia Civil aprofundou as investigações sobre a morte do bebê Tyller Kauan da Cruz Carvalho, de 1 ano, encontrado sem vida na manhã de sábado (20) dentro de uma residência no bairro Sertão da Quina, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. A mãe da criança, de 30 anos, e o padrasto, de 41, seguem presos em flagrante, suspeitos de abandono de incapaz com resultado morte, enquanto a polícia avalia a possibilidade de reclassificação do crime.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada via Copom na manhã de sábado (20) após solicitação de apoio do Samu para atendimento de uma morte considerada suspeita em um imóvel localizado na rua Arapongas. No local, os policiais encontraram o bebê sozinho em um dos quartos, deitado sobre a cama, já sem sinais vitais. O óbito foi confirmado por uma médica da equipe de resgate.
No momento da chegada das forças de segurança, a mãe e o padrasto estavam do lado de fora da residência. Ambos foram detidos e conduzidos à delegacia ainda no sábado (20), onde a prisão em flagrante foi ratificada pela autoridade policial.
Em depoimento, o casal relatou fazer uso frequente de drogas e bebidas alcoólicas. O padrasto afirmou que, na madrugada de sábado (20), por volta das 2h, ele e a companheira iniciaram o consumo de álcool e entorpecentes, prática que teria se estendido até aproximadamente 10h da manhã do mesmo dia. Durante esse intervalo, segundo o próprio relato, nenhum dos dois entrou no quarto para verificar as condições da criança.
O boletim policial destaca que o bebê apresentava lesões visíveis na região da boca e dos lábios, além de sinais de debilidade, sem que qualquer providência tivesse sido tomada pelos responsáveis. Vizinhos relataram à polícia que ouviram a criança chorar de forma contínua durante a madrugada e a manhã de sábado (20), possivelmente em razão do calor e da ausência de cuidados básicos.
Uma testemunha informou ainda ter visto o padrasto ingerindo bebida alcoólica na manhã de sábado (20), enquanto a mãe teria deixado a residência, retornando apenas horas depois. Segundo o relato, a mulher não demonstrou reação emocional ao reencontrar o filho já sem vida.
As apurações também apontam que a situação de negligência não seria um episódio isolado. Depoimentos indicam um histórico recorrente de abandono, uso abusivo de álcool e drogas e conflitos domésticos envolvendo o casal.
A Polícia Militar confirmou que esteve no mesmo endereço na terça-feira (16), quatro dias antes da morte do bebê, para acompanhar o cumprimento de uma decisão judicial que determinou a retirada da guarda de outra criança do casal, de 3 anos, que passou a viver sob os cuidados da avó paterna.
A perícia técnica realizou exames no local e no corpo da criança no sábado (20). Um laudo preliminar apontou indícios compatíveis com ausência de cuidados básicos, mas a causa da morte será confirmada somente após a conclusão dos exames necroscópicos e laboratoriais.
Diante da gravidade dos fatos, o delegado responsável decretou a prisão em flagrante do casal no sábado (20) e solicitou a conversão da medida em prisão preventiva, citando risco à ordem pública e necessidade de preservação das investigações.
A Polícia Civil segue apurando se o caso se enquadra como homicídio por omissão ou dolo eventual. O inquérito permanece sob responsabilidade da Delegacia de Polícia de Ubatuba.

