Sexta-feira, Março 6, 2026
Capa

VALE DO PARAÍBA REGISTRA OITO MORTES EM UM FIM DE SEMANA DE VIOLÊNCIA, TRAGÉDIAS E BARBÁRIE

O Vale do Paraíba atravessou um dos períodos mais violentos dos últimos meses, acumulando oito mortes entre sexta e domingo em episódios marcados por brutalidade, disputas banais, execuções, ataques misteriosos, ação policial sob investigação e crimes cometidos com extrema frieza. Uma sequência trágica que expõe o agravamento da violência na região e deixa famílias em luto enquanto autoridades tentam reconstruir cada uma das histórias interrompidas.

Na sexta-feira (5), em Lorena, o jovem Luiz Henrique, de 19 anos, foi morto a tiros no bairro Cecap. Ele estava acompanhado de um amigo, também baleado, mas que sobreviveu. No local, policiais encontraram porções de cocaína, que serão analisadas para verificar se têm relação com o crime. A Polícia Civil registrou a ocorrência como homicídio consumado e tentativa de homicídio.

O sábado foi marcado por duas mortes violentas em São José dos Campos. No Campo dos Alemães, Luis Henrique Rodrigues Alves de França, de 35 anos, foi executado com múltiplos disparos na rua Elis Regina. Ele apresentava ferimentos nas costas, glúteos, braço, mão e ombro. Cápsulas de calibres .40 e .45 foram recolhidas no local. A dinâmica indica uma emboscada qualificada. Moradores relataram que uma motocicleta Yamaha Fazer 250 azul circulou diversas vezes pelo bairro antes do crime. O veículo chegou a ser registrado por radares horas depois, já na capital paulista.

Ainda no sábado, no bairro Dom Pedro I, uma abordagem da Romu terminou com a morte de Lucas Junio Canuto de Lima, de 28 anos. Durante a ação, Lucas teria caído ao solo e sofrido uma parada cardiorrespiratória. Guardas iniciaram manobras de reanimação até a chegada do Samu, mas ele morreu ali mesmo. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram integrantes da Romu na ocorrência, apesar de a corporação afirmar que não há registro interno da ação. A Polícia Civil apura a possível queda, o atendimento prestado e eventuais excessos.

A madrugada de domingo (7) trouxe mais violência. Em Aparecida, na rua Benedito Macedo, no bairro Ponte Alta, três mulheres foram baleadas dentro de um carro. Ana Júlia Jacinto Resende, de 22 anos, morreu. As amigas, uma manicure de 27 anos e uma autônoma de 22, sobreviveram. As jovens voltavam de uma festa em Guaratinguetá e haviam parado para comer pastel. Antes mesmo de seguirem viagem, o carro foi alvejado por tiros. Em desespero, buscaram socorro no Santuário Nacional e foram orientadas a seguir ao pronto-socorro. O veículo foi posteriormente encontrado em Guaratinguetá, abandonado por um dos homens que acompanhava o trio. Câmeras de segurança e celulares foram recolhidos e analisados pela polícia.

Poucas horas depois, em São José dos Campos, o Bairrinho, na zona leste, registrou a morte de Caio, conhecido organizador de fluxos e festas na cidade. Ele havia promovido uma confraternização naquela noite e divulgado vídeos exibindo a estrutura preparada. Minutos após o evento, Caio foi assassinado. Um suspeito baleado deu entrada na UPA do Novo Horizonte sob escolta policial, reforçando a hipótese de troca de tiros na cena do crime. A identidade da segunda pessoa envolvida no ataque ainda não foi formalmente confirmada como vítima fatal.

Também no domingo, Pindamonhangaba registrou uma morte brutal. No Jardim Padre Rodolfo, Matheus Soares de Sales, de 19 anos, foi encontrado caído próximo à bicicleta com um tiro na cabeça. O resgate foi acionado, mas ele morreu no local. A polícia analisa câmeras de segurança para tentar identificar o autor do disparo.

A última morte do período ocorreu em Jacareí. Jonatas Marques Machado, de 33 anos, morador do Parque Meia Lua, foi atropelado propositalmente, segundo testemunhas, pelo vizinho Rubens dos Santos, de 44 anos, com quem mantinha uma disputa frequente por causa de som alto. Jonatas vivia com os avós idosos e pedia que o vizinho reduzisse o volume. Na noite de domingo, após nova discussão, o suspeito o atropelou pelas costas. Jonatas morreu no local. Rubens se apresentou à polícia, admitiu envolvimento e teve a prisão convertida em preventiva. A família pede justiça e descreve o crime como covarde.

ATAQUE DE CÃES EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Entre as tragédias registradas no período, a Polícia Civil também investiga a morte de Júlio César de Souza Oliveira, de 39 anos, que ocorreu na quinta-feira (4), quando ele foi atacado por dez cachorros dentro de uma chácara na zona sul de São José dos Campos. Júlio havia sido convidado pela moradora da casa e, segundo testemunhas, discutiu com ela antes do ataque. Ele gritou por socorro enquanto era mordido principalmente nas pernas e no rosto. O Samu chegou a enviar duas ambulâncias, mas não conseguiu reanimá-lo. Os cães permanecem no local e a morte é tratada como suspeita.

Ao fim dos quatro dias, o Vale do Paraíba contabiliza oito mortes em circunstâncias que incluem execuções, tiroteios, atropelamento intencional, morte durante abordagem policial e um ataque de cães. O período expõe a face mais dura da violência que se espalha pela região e reacende discussões sobre medidas de proteção, prevenção e investigação.

Enquanto perícias avançam, delegacias cruzam dados e autoridades tentam dar respostas, famílias choram seus mortos, comunidades se assustam e a pergunta ecoa por toda a região: até quando o Vale viverá sob a sombra da violência? Até quando o luto vai ocupar as manchetes?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!