Sexta-feira, Março 6, 2026
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“Gabriel morreu clamando por socorro”, diz irmã: costela quebrada e traumatismo craniano em São José dos Campos

A imagem é dura: Gabriel Alves Vitor, 28 anos, deitado sobre um colchão próximo ao PEV (Ponto de Entrega Voluntária) da Avenida dos Evangélicos, no Campo dos Alemães, zona sul de São José dos Campos. Ali, na manhã de quarta-feira (19), o jovem foi encontrado sem vida. Segundo a família, Gabriel sofreu traumatismo craniano e teve uma costela quebrada, lesões que teriam levado à morte. O caso foi registrado como morte suspeita.

Ele dormia em um colchão quando um trator realizava a remoção de entulhos perto do PEV. Quando a equipe de resgate chegou, apenas confirmou o óbito. Para a irmã, a auxiliar de cozinha Aline Alves Vitor, de 33 anos, Gabriel ainda tentou pedir ajuda.

“Não tinha sinal de agressão. Provavelmente, ele pode ter sido atingido pela máquina. Não deu tempo de gritar e ele deve ter balançado as pernas, pedido socorro e dito que estava morrendo. Chamaram a emergência. Ele pode ter perfurado o pulmão pela costela quebrada”, relatou Aline.

A família acredita que Gabriel morreu em um acidente. “Foi acidente mesmo. O operador não teve culpa. Gabriel estava no colchão. O homem fazia o serviço dele. Não procuramos prefeitura e não vamos abrir processo, porque sabemos que ele estava lá porque queria”, afirmou a irmã.

Aline conta que o irmão vinha lutando contra o vício em drogas e havia deixado a casa dias antes. Eles tentavam convencê-lo a aceitar internação, mas Gabriel sempre desistia na última hora.

“Naquela noite estava muito frio. Ele estava na rua e não apareceu. Até orei com dó de quem dorme na rua. Provavelmente ele se colocou entre dois colchões. Quando a retroescavadeira chegou para fazer a limpeza, nessa de abaixar, ele pode não ter visto e acabou atingindo”, disse.

A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as circunstâncias da morte, inclusive se houve falha operacional ou algum tipo de omissão. A família, porém, vive o luto e a impotência.

“Acabou comigo aquele dia. Tentei tanto tirá-lo dessa vida. Ele estava no lugar errado, na hora errada. Quem tem dependente químico em casa sabe como é difícil quando a pessoa não quer ajuda. Sofremos muito”, desabafou Aline.

A dor que carregam começou antes. Este ano, a família perdeu a mãe, acontecimento que abalou profundamente Gabriel. Depois, a separação da esposa o desestabilizou ainda mais. Morando com o pai, o jovem passava dias fora, desaparecia, e a convivência com os irmãos se deteriorou.

“Trouxe ele para morar comigo. Sou casada, tenho filho, mas ele sempre foi muito protegido pela nossa mãe, e eu era grudada com ele. Aqui percebi o quanto a situação dele estava grave, usando crack. Tentamos vaga em clínica. Ele chegou a entrar no carro, mas sumiu. Depois concordou em se internar novamente, mas desistiu na última hora”, contou.

Aline lembra que Gabriel era habilidoso, trabalhador, e fazia de tudo para ajudar quando estava bem.

“Ele era serralheiro, montador de móveis, pedreiro… fazia tudo muito bem. Tudo o que precisava em casa, ele fazia. Era muito habilidoso. O sonho dele era ter um filho. Ele tinha um enteado, que ele amava. Gabriel vivia um dia após o outro.”

Em lágrimas, a irmã resume a perda que a família tenta absorver:
“Ele e minha mãe eram a minha base. Perdi os dois. A queda dele foi muito rápida. Sempre foi uma pessoa boa, esforçada. Do meio do ano para cá, piorou muito. E agora nada vai trazer o Gabriel de volta.”

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