Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

Investigação no Vale: polícia aciona IML, apreende celular e tenta reconstruir últimos passos de Diego

A morte do ajudante de padaria Diego Paludo, 40 anos, tornou-se alvo de apuração da Polícia Civil, que requisitou ao IML (Instituto Médico Legal) exames necroscópico e toxicológico para esclarecer o que ocorreu nas horas finais da vítima. O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita, de natureza não criminal e encontro de cadáver, mas os elementos coletados no local e o contexto do desaparecimento fortalecem hipóteses que vão de mal súbito a possível intoxicação, incluindo a possibilidade de suicídio.

Diego estava desaparecido desde a tarde da véspera, quando saiu de casa, em Guaratinguetá, com a missão cotidiana de buscar o filho pequeno na creche. O que deveria ser um trajeto comum transformou-se em silêncio absoluto: ele não chegou à unidade escolar, não avisou a família, e o celular parou de chamar, aumentando a angústia dos parentes e a incerteza sobre sua localização.

O corpo foi encontrado pela manhã, às margens da rodovia Paulo Virgínio, na zona rural da cidade, debaixo de uma árvore, em posição de decúbito dorsal (barriga para cima). Diego vestia bermuda azul e camiseta regata verde, e ao seu lado havia um par de chinelos, igualmente preservados, sem sinais de dispersão.

A perícia inicial não constatou marcas de violência, agressão ou luta corporal, fato que manutenção o caso como não criminal até o momento. Porém, a presença de espuma na boca da vítima gerou movimentação imediata na linha investigativa interna, por tratar-se de um indício compatível tanto com intoxicações severas quanto com comprometimentos clínicos súbitos, que ainda dependem dos laudos oficiais para qualquer definição.

Em depoimento, um familiar afirmou que Diego sempre manteve conduta tranquila, sem vícios conhecidos, descrevendo-o como um homem que não bebia, não fumava e não usava drogas ou entorpecentes, segundo os relatos colhidos pela Polícia. Ele estava separado da companheira havia cerca de um ano e deixa um filho pequeno, além de outro menino, de 6 anos, que era a criança que ele buscaria na creche no dia do desaparecimento.

O celular de Diego foi apreendido para perícia digital, que deve ajudar a reconstituir deslocamento, mensagens, ligações e interações que possam lançar luz sobre o espaço de tempo entre sua saída de casa e o momento em que foi encontrado. Esse exame tecnológico é tratado como uma peça essencial na reconstrução da dinâmica do caso, especialmente porque o aparelho deixou de dar qualquer resposta de rede, o que pode indicar desligamento, falha, dano ou interrupção intencional — todos cenários sob análise.

A irmã de Diego, tomada por angústia, desabafou sobre a quebra brusca da rotina do irmão:
“Desde ontem, o telefone dele não chama mais… ele nunca fez isso. Tenho muito medo de que ele esteja machucado.”
E completou:
“Ele é o menino mais tranquilo do mundo. Nunca deu trabalho, nunca fez nada de errado.”

As falas da família, ainda que emocionais, ajudam a demonstrar o impacto da perda e reforçam a ausência de histórico que apontasse para qualquer comportamento abrupto ou autodestrutivo anterior. Até a divulgação dos laudos do IML, o caso segue classificado oficialmente como morte suspeita em investigação, com esforços concentrados na resposta que os exames trarão: se houve substância tóxica no organismo, evento clínico súbito ou outra causa fisiológica compatível com o quadro observado no local.

A verdade sobre o que interrompeu os passos de Diego ainda permanece encoberta, mas a investigação avança com rigor, cruzando ciência, tecnologia e depoimentos para responder a uma pergunta que ecoa por todo o Vale: o que realmente aconteceu com Diego no último caminho que percorreu?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!