Caminhonete, fuga e morte: suspeito que atropelou e matou o maratonista “Passarinho” é preso ao tentar se esconder
A caminhonete avançou sobre o atleta, o veículo foi deixado na estrada e a fuga terminou com prisão. No fim da tarde de quarta-feira (26), a Polícia Militar capturou em Três Corações (MG) o motorista suspeito de atropelar e matar o maratonista Juliano Moraes de Castro, de 38 anos, na zona rural.
O atleta, conhecido carinhosamente como “Passarinho”, foi atingido no km 5 da rodovia LMG-868, próximo à região da Pontinha, área rural. Após o atropelamento, o condutor não prestou socorro, abandonou a caminhonete na estrada e fugiu a pé na tentativa de escapar e eliminar vestígios do crime.
Na delegacia, o motorista, de 30 anos, teria confessado que dirigia o veículo no momento do acidente. Uma mulher que o acompanhava também foi detida, pois, segundo registros da Polícia Civil, ela estaria ajudando na fuga e na tentativa de esconder elementos do crime. Após ser ouvida, foi liberada. Já a caminhonete foi apreendida pela PM no local, logo após ser abandonada pelo suspeito.
Juliano foi socorrido por ambulância municipal, mas deu entrada sem vida no pronto-atendimento. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Três Corações para exames periciais, antes de retornar à sua cidade, onde moradores, amigos e atletas o aguardavam para o último adeus.
O último voo de “Passarinho”
A tragédia interrompeu o percurso do atleta e o espírito leve que ele carregava. Maratonista e ex-funcionário de navios, Juliano tinha o apelido de “Passarinho” justamente por se definir como espírito livre, gostar de voar e encarar a vida com leveza e liberdade. O codinome ultrapassava o esporte: era identidade, filosofia e forma de existir.
Em sua cidade, foi velado na Igreja do Rosário e sepultado no Cemitério Municipal, em clima de comoção. A prefeitura confirmou que ele era muito conhecido, querido pela população, e lamentou profundamente a perda de um homem que corria como quem tinha asas.
Investigação segue em curso
Após o depoimento, a prisão em flagrante do condutor foi ratificada pela autoridade policial, e ele foi encaminhado ao sistema prisional. A investigação, conduzida pela Delegacia de Três Corações, permanece em andamento para esclarecer a dinâmica exata do atropelamento e apurar: responsabilidades, eventuais tentativas de ocultação de provas, apoio logístico na fuga e outros elementos que possam consolidar a tipificação do caso na esfera penal.
A matéria reunida até o momento indica omissão de socorro com resultado morte, abandono do local, possível auxílio na fuga por parte da companheira e apreensão do veículo envolvido. Laudos periciais, depoimentos complementares e diligências seguem sendo incorporados ao inquérito.
A história do corredor “Passarinho” ganhou eco nas vozes da cidade, nas rodas do esporte e agora nos autos da investigação, que buscam transformar a dor coletiva em respostas e responsabilização.

