Noite de execuções em Jacareí: pistoleiros mascarados matam dois jovens em ataques quase sequenciais
Jacareí foi cenário de sangue, pólvora e silêncio na noite que começou na terça-feira (25) e só terminou na madrugada desta quarta (26). Em menos de cinco horas, dois jovens foram executados a tiros em crimes distintos que carregam características de acerto de contas ligado ao tráfico de drogas. Os casos, registrados nos bairros Rio Comprido e na região Central, mobilizaram a Polícia Militar e agora são investigados pela Polícia Civil, que já requisitou perícia e laudos necroscópicos para avançar na identificação dos autores. Até o momento, não há indícios concretos de que os homicídios estejam conectados, mas o modo de agir dos atiradores impõe um recado: foram crimes de execução, sem chance de defesa.
O primeiro homicídio ocorreu às 19h52, na Travessa Lagoinha, no bairro Rio Comprido. Quando a Polícia Militar chegou, a vítima — um rapaz de 19 anos — já havia sido socorrida às pressas por populares, colocada em um carro particular e levada ao pronto atendimento. A tentativa imediata de salvamento, feita no improviso e na coragem, não foi suficiente. O jovem morreu no hospital em decorrência dos ferimentos provocados pelos disparos.
A polícia apurou no local, junto ao irmão da vítima, que no dia anterior o rapaz havia se desentendido com um homem não identificado. A informação foi lançada no boletim como possível ponto de partida para a motivação do crime. O registro policial detalha ainda que o jovem teria ido “trabalhar na biqueira”, termo usado no submundo para se referir a pontos de venda de entorpecente. Durante a atividade, um homem mascarado se aproximou pedindo droga. No momento em que a vítima retornou para fazer a entrega, foi alvejada de surpresa. O autor, com o rosto oculto, efetuou os disparos e fugiu sem ser reconhecido. Não há, até agora, descrição das características físicas do criminoso ou do homem envolvido na briga anterior.
O segundo assassinato atravessou a cidade com igual brutalidade. Às 2h42, pela Rua dos Ferroviários, na região Central, um jovem de 21 anos foi atingido no quintal da própria casa. Ele estava sentado em uma poltrona quando o atirador se aproximou, posicionou o cano da arma por uma pequena abertura do portão e efetuou diversos disparos à distância. O rapaz foi socorrido por familiares e levado à UPA, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois.
Nas buscas preliminares no local, a Polícia Militar encontrou porções de entorpecentes, reforçando a hipótese do crime ter relação com o tráfico de drogas. Em depoimento à polícia, a mãe da vítima disse não ter visto o autor do crime. Ela apenas se deslocou à UPA para acompanhar o atendimento e lá recebeu a confirmação da morte do filho. Afirmou ainda não saber o nome ou características do indivíduo que efetuou os disparos.
Em ambos os casos, a Polícia Civil requisitou perícia do Instituto de Criminalística de Jacareí e determinou a análise das drogas apreendidas. O IML foi acionado para a realização do exame necroscópico. A investigação busca agora transformar silêncio em resposta, máscaras em rostos e fuga em prisão. No Vale do Paraíba, a noite acabou, mas o eco dos tiros ainda não.


