Após 17 anos de fuga moral, pregador é preso em Lorena por estuprar criança de 4 anos; mãe tatuou a data da justiça
Depois de 17 anos aguardando por justiça, um homem de 55 anos foi preso em Lorena por estuprar uma criança de apenas quatro anos em 2008. O criminoso, que até então continuava pregando em uma igreja evangélica da cidade, foi detido por policiais militares no dia 17 de novembro, após a expedição de um mandado de prisão.
A vítima, hoje com 22 anos, tinha quatro quando a violência ocorreu. A mãe registrou a denúncia na época, mas o processo se arrastou por quase duas décadas. Nesse período, o homem seguiu a vida como se nada tivesse acontecido, inclusive ocupando espaço religioso como pregador.
“Eu já não acreditava mais em justiça”, desabafou a mãe. “Quando soube da prisão, quase enfartei. Ele continuava pregando como se fosse um homem de bem.”
O impacto emocional foi tão grande que a mulher decidiu tatuar na pele a data e o horário exatos da prisão: 17 de novembro de 2025, às 19h33, ao lado da balança da justiça. A revelação foi feita pela página Olho Vivo do Vale e confirmada por OVALE.
“Tatuei porque essa luta consumiu minha vida. Minha filha lembra de cada detalhe. Quando contei da prisão, ela chorou muito. Ela faz tratamento até hoje para lidar com o trauma”, disse.
O abuso começou quando a mãe precisou deixar a filha aos cuidados de uma babá, que era casada com o agressor. Com o passar do tempo, a mãe percebeu comportamentos estranhos na menina e, com paciência, conseguiu ouvir a verdade: o homem tocava suas partes íntimas e a obrigava a retribuir. Ele ainda ameaçava a criança, dizendo que ela seria trancada em um quarto escuro se contasse algo.
A denúncia foi registrada imediatamente, dando início a um processo longo, cheio de depoimentos, acompanhamento do Conselho Tutelar e tramitação judicial. A mãe afirma que recebeu a informação da condenação do agressor no ano passado, mas a prisão só veio agora.
“Eu acredito que ele vai cumprir a pena. A chance de sair é mínima. Tenho fé em Deus que a justiça será completa”, afirmou.
O crime devastou a família. Eles precisaram mudar de casa para escapar dos olhares e dos comentários. A mãe entrou em depressão e precisou de tratamento. O agressor nunca mais teve contato com a vítima.
“Quando eu o encontrava, enfrentava ele. Nunca admitiu, nunca pediu perdão”, relatou.
Apesar da demora, a prisão trouxe um sentimento que ela descreve como impossível de definir. “É ódio, alívio e gratidão ao mesmo tempo. Minha filha está se reconstruindo. Ela está no último ano da faculdade. Deus sabe de tudo.”
A defesa do preso não foi localizada por OVALE. O espaço segue aberto para manifestação.


