Sexta-feira, Março 6, 2026
Cidades

Candidato de SJC que se apresentava como defensor de “Deus, pátria e família” é preso por roubo e posse de drogas em Minas Gerais

O ex-candidato a vereador de São José dos Campos Eduardo Guedes da Cunha, de 42 anos, que construiu sua imagem política apoiada em discursos de conservadorismo, religiosidade e defesa da família tradicional, está preso em Minas Gerais por roubo e posse de drogas para consumo pessoal. Eduardo tentou se eleger vereador em 2024 pelo partido Avante, quando obteve 423 votos.

Nas redes sociais, onde reúne cerca de 64 mil seguidores, ele publicava conteúdo cristão, mensagens espirituais e defendia o slogan “Deus, pátria e família”, buscando aproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente condenado por tentativa de golpe de Estado.
Em uma postagem de 17 de setembro de 2024, escreveu: “Se Deus quiser vamos defender nossa família, nossos valores e princípios como nosso presidente Bolsonaro”.

A imagem conservadora, porém, entrou em choque com os fatos. No último dia 12 de novembro, Eduardo e o também joseense Ricardo Coutinho de Souza foram presos na cidade de Pavão (MG), próximo a Teófilo Otoni, acusados de invadir a casa de uma mulher identificada como Daniela Mendes, fingindo ser policiais e portando armas.

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar mineira, a dupla rendeu a vítima, revirou o imóvel e a obrigou a desbloquear o celular. Um Pix de R$ 550 foi realizado em nome dos suspeitos, que ainda levaram dinheiro e o aparelho telefônico.

Após o crime, a PM montou um cerco pela região. Eduardo dirigia um Meriva prata com placas de São José dos Campos quando foi localizado e abordado. Dentro do veículo, os policiais encontraram:

  • arma de airsoft com potencial lesivo
  • esferas de aço
  • cocaína e maconha
  • soco inglês e canivete
  • algemas, aparelho de choque
  • facão e um machado

Ambos foram presos em flagrante.

Eduardo teve o habeas corpus negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Na audiência de custódia, em 14 de novembro, a prisão foi convertida para preventiva, “para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal”.
Nova tentativa da defesa também foi rejeitada, em 19 de novembro. Eles seguem detidos no Presídio de Teófilo Otoni.

Em depoimento, Eduardo afirmou que viajou a Minas para “ajudar um homem a construir uma cerca”, dizendo atuar como serralheiro. Alegou ainda estar com depressão, ter câncer e que teria começado a usar drogas recentemente.

Ele também disse ter ido à casa da vítima para comprar cocaína e que teria feito transferências para Daniela entre os dias 3 e 12 de novembro, somando R$ 1.100.

O delegado Leonardo dos Santos Diniz rejeitou essa versão. Segundo ele, a história apresentada pelos suspeitos “não é crível”, já que não foram encontrados vestígios de drogas ou balança de precisão na casa da vítima — o que contradiz a narrativa de que foram ao local para comprar entorpecentes.

“Foi encontrada uma arma de pressão, o celular da vítima e pequena quantidade de drogas com os conduzidos, além de uma cédula de R$ 50, exatamente como narrado pela vítima”, disse o delegado ao ratificar a prisão por roubo qualificado e uso de substância entorpecente.

Enquanto acumulava seguidores publicando frases religiosas e exaltações à moral conservadora, Eduardo agora enfrenta a Justiça por crimes graves, em um caso que segue sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais.

Ele permanece preso, aguardando o andamento do processo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

error: Content is protected !!