Herói de Monte Castello: morre aos 102 anos o tenente Florentino Zandonadi, símbolo da bravura da FEB
O Brasil perdeu um de seus últimos heróis da Segunda Guerra Mundial. O tenente Florentino Zandonadi, veterano da Força Expedicionária Brasileira (FEB), morreu na noite de sábado (8), aos 102 anos, em Taubaté. Membro do 6º Regimento de Infantaria, o capixaba foi um dos pracinhas que enfrentaram o frio, o medo e o fogo inimigo nos campos da Itália, participando de batalhas históricas como as de Monte Castello e Montese.
Nascido em 3 de fevereiro de 1923, em Conceição do Castelo (ES), Zandonadi atravessou o Atlântico ainda jovem, determinado a combater o nazifascismo. Viveu o terror das trincheiras e o heroísmo dos que não recuaram. “Estávamos sob pesado bombardeio, sem comida, e a munição havia acabado. Era loucura”, relatou em uma de suas entrevistas sobre a campanha italiana — uma lembrança vívida de quem viu de perto o preço da liberdade.
Após a guerra, o tenente dedicou-se à preservação da memória dos pracinhas, tornando-se presença constante em cerimônias militares, homenagens e eventos cívicos. Em fevereiro deste ano, ao celebrar 102 anos, recebeu em casa a Banda de Música do 6º Batalhão de Infantaria Aeromóvel, o General de Brigada Igor Lessa Pasinato, o Tenente-Coronel Luís Fernando Hilgenberg Júnior e outras autoridades, que lhe renderam tributo por seu exemplo e patriotismo.
Zandonadi integrou o 1º escalão da FEB, que entrou em combate na Itália em setembro de 1944, na localidade de Massarosa. O 6º Regimento participou de batalhas em Camaiore, Monte Prano, Barga, Soprassasso, Castelnuovo, Zocca, Colecchio e Respício, culminando na ofensiva de Fornovo di Taro — operação que levou à rendição de milhares de soldados inimigos e marcou o fim da campanha.
O velório do tenente Florentino Zandonadi ocorre na manhã deste domingo (9), em Taubaté. Ele deixa familiares, amigos e uma legião de admiradores que o reconhecem como símbolo de coragem, disciplina e amor ao Brasil. O Exército e instituições ligadas à FEB lamentaram sua morte, destacando que se vai mais do que um soldado — parte viva da história nacional encerra sua jornada com honra e gratidão.


