Sexta-feira, Março 6, 2026
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Caxambu dá fim às charretes: cidade proíbe veículos de tração animal e oferece incentivo para nova era do turismo

Caxambu (MG) decidiu virar a página de vez no uso de veículos de tração animal. A prefeitura sancionou, na terça-feira (4), a lei que proíbe o uso de charretes tanto para passeios turísticos quanto para transporte de carga. A medida entra em vigor a partir de 4 de maio de 2026, abrindo caminho para uma transformação no tradicional setor que por décadas marcou a identidade turística da cidade.

O projeto, enviado à Câmara em maio deste ano, foi amplamente discutido com os charreteiros e prevê apoio financeiro e alternativas de trabalho para que os profissionais não fiquem desamparados. A legislação estabelece que os trabalhadores que estiverem dentro das exigências receberão incentivo de R$ 15 mil, divididos em seis parcelas. O primeiro pagamento está previsto para cinco dias após a assinatura do termo de encerramento das atividades. Além disso, os profissionais terão direito a uma cesta básica mensal por 12 meses, garantindo suporte durante o período de transição.

Segundo a prefeitura, Caxambu possui 36 charreteiros cadastrados, mas apenas 16 estão na ativa. A decisão inclui um prazo de 180 dias, solicitado pelos próprios profissionais, para que possam se reorganizar e migrar para novas formas de trabalho no turismo.

O prefeito Luiz Henrique Diório de Souza (PSDB) destacou que o objetivo não é eliminar o atrativo turístico, mas modernizá-lo. “Nós estamos dando esse período de seis meses para que eles possam se reintegrar ao mercado de trabalho. Isso não quer dizer que estamos acabando com o atrativo turístico de Caxambu. Pelo contrário. Estamos substituindo esse atrativo, e uma das opções é trocar os veículos de tração animal por tuc-tucs elétricos”, afirmou.

Quem descumprir a lei após o prazo estará sujeito a multas que podem chegar a R$ 2 mil, além da apreensão da charrete.

O presidente do grupo de charreteiros, Guilherme Barros da Silva, reconheceu que o cenário nacional aponta para o fim do uso de animais no transporte. Segundo ele, embora acreditassem que alternativas poderiam manter a atividade, o grupo decidiu acatar a decisão e buscar novos caminhos. “Hoje nós estamos de acordo com uma realidade. Como já se encerrou em outras cidades e há projetos por todo o Brasil para acabar com veículos de tração animal, vimos que é hora de mudar a forma de pensar e buscar recursos para um futuro”, afirmou.

A discussão não é isolada no Sul de Minas. Em São Lourenço, o uso de charretes para passeios foi proibido em dezembro de 2023, com indenização de R$ 30 mil aos charreteiros, pagos em três parcelas. O transporte de cargas, porém, continua permitido. Já em Poços de Caldas, a prefeitura tentou extinguir o serviço via decreto em 2024, mas a decisão foi derrubada judicialmente. Um novo projeto está em análise pela Câmara Municipal, e os charreteiros seguem em atividade enquanto o tema continua em debate.

Caxambu, agora, se junta à lista de cidades que caminham para um modelo turístico sem tração animal — uma mudança que promete redesenhar o cenário urbano, preservar o bem-estar dos animais e abrir novas oportunidades para quem vive do turismo local.

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