Uniões consensuais ultrapassam casamentos formais no Brasil; tendência também aparece em Cruzeiro, segundo IBGE
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmou, com dados oficiais do Censo Demográfico de 2022, que as uniões consensuais — quando duas pessoas vivem juntas como casal sem celebrar casamento no civil ou no religioso — passaram a ser o tipo de relação mais frequente no Brasil. É a primeira vez que isso ocorre desde o Censo de 1960.
Segundo o instituto, 38,9% da população de 10 anos ou mais que vivia em união conjugal declarou estar em união consensual, enquanto 37,9% estavam casadas no civil e no religioso. Trata-se de uma mudança histórica no comportamento conjugal do país.
O IBGE explica que união consensual inclui tanto casais que vivem juntos sem qualquer formalização quanto aqueles em união estável registrada em cartório, desde que não tenham casamento civil ou religioso. O instituto destaca ainda que o dado é obtido por declaração do próprio entrevistado, sem exigência de documento comprobatório.
Em contraste ao avanço das uniões consensuais, a proporção de casamentos no civil e no religioso caiu em todo o país em relação ao Censo de 2010. Naquele ano, 42,9% dos brasileiros viviam casados formalmente, índice que recuou para 37,9% em 2022.
Cruzeiro acompanha o cenário nacional
Os resultados municipais completos sobre a natureza das uniões conjugais ainda estão sendo divulgados pelo IBGE, mas os dados demográficos oficiais confirmam que Cruzeiro acompanha a tendência nacional de mudança no comportamento conjugal.
O município registrou 74.961 habitantes no Censo 2022, número que orienta o cálculo das estatísticas locais sobre domicílios, famílias e núcleos conjugais. Embora a tabela municipal detalhada que separa casamentos e uniões consensuais ainda não tenha sido publicada pelo instituto, o IBGE confirma que o avanço das uniões não formalizadas ocorre em todas as regiões do país, incluindo o estado de São Paulo.
Assim, Cruzeiro se insere no movimento observado nacionalmente — famílias mais diversas, maior flexibilidade nas formas de viver em casal e redução da busca por formalização religiosa ou civil.
O que diz o IBGE
Para o instituto, o crescimento das uniões consensuais reflete “mudanças comportamentais na sociedade brasileira”, com redução do peso social do casamento formal e maior aceitação de arranjos conjugais sem registro. A analista da pesquisa, Luciene Longo, destaca que “as uniões no civil e religioso vêm perdendo espaço para as uniões não formalizadas”, embora muitas delas possam ser registradas posteriormente como união estável.
Próximas atualizações
O IBGE ainda irá publicar as tabelas municipais completas sobre o tipo de união em todas as cidades, incluindo Cruzeiro. Quando divulgados, esses dados permitirão comparar com precisão quantos casais vivem em união consensual e quantos optam pelo casamento civil ou religioso no município.


