‘Há presença do Comando Vermelho no Vale’, afirma promotor do Gaeco ao detalhar guerra com o PCC
O Vale do Paraíba, com suas cidades que misturam calmaria interiorana e ritmo urbano, convive com uma disputa que não aparece nas vitrines, mas que avança de forma silenciosa e constante: a guerra por território entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho, as duas maiores facções criminosas do país.
A afirmação é do promotor de justiça Alexandre Castilho, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que aprofundou o tema em uma grande reportagem em formato de podcast. Segundo ele, a rivalidade entre as facções já causa reflexos diretos na região. “Há presença do Comando Vermelho na região”, disse o promotor, destacando que o Vale já registrou homicídios ligados à disputa.
Castilho explica que PCC e Comando Vermelho já tiveram uma relação menos hostil, quase cooperativa, mas essa fase ficou para trás. Hoje, a situação é de rompimento declarado, com tensão crescente e disputas por pontos estratégicos do tráfico. “Essa relação já foi amigável, depois eles romperam. Hoje a situação é de rompimento”, afirmou.
O promotor revela ainda que a reaproximação do PCC ao tráfico regional reacendeu o confronto. Por um período, a facção paulista decidiu se afastar das chamadas “biqueiras”, focando sua estrutura no tráfico internacional, movimento arriscado e altamente lucrativo. Mas a mudança abriu espaço para o avanço do CV no varejo das cidades do Vale.
“O PCC havia abandonado esse tráfico regional, o que a gente chamava antigamente de biqueiras, para se dedicar ao tráfico internacional. E isso causou consequências”, disse Castilho.
Quando o PCC percebeu o avanço do Comando Vermelho nos territórios deixados, tentou retomar o espaço perdido — e o conflito se intensificou. Segundo o Gaeco, a disputa segue ativa, silenciosa e estrategicamente organizada pelos bastidores do crime.
O resultado é uma guerra que não escolhe fronteiras visíveis, mas que influencia diretamente a segurança pública da região. O Vale do Paraíba se torna, cada vez mais, parte de um tabuleiro onde cada bairro, rota e ponto de venda se transformam em peças de uma disputa que envolve poder, lucro e violência.
Uma guerra que não começou aqui — mas que já deixou marcas, movimenta bastidores, preocupa autoridades e avança sob a superfície do cotidiano.

