“Império do Crime: Justiça do Vale condena empresários a mais de 100 anos por lavagem de dinheiro, extorsão e elo com o PCC”
A Justiça de São José dos Campos desmantelou um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro e extorsão do Vale do Paraíba, condenando 11 réus — entre eles empresários — a penas que ultrapassam um século de prisão. As sentenças, proferidas pela juíza Marise Terra Pinto Bourgogne de Almeida, da 5ª Vara Criminal, são resultado da operação que, em 2024, levou à prisão preventiva de empresários ligados a uma facção criminosa com atuação na região.
Entre os principais condenados estão Kleber Nunes Faria de Sousa, conhecido como “Klebinho”, sentenciado a 115 anos de prisão, e Nestor Favian Hernandez Perez, o “Fabianinho”, condenado a 105 anos. Segundo o Ministério Público, os dois comandavam uma engrenagem criminosa que funcionava há mais de uma década em cidades como São José dos Campos e Jacareí.
As investigações, conduzidas pelo Gaeco em conjunto com o Seccold (Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro) e apoio do Baep, revelaram uma estrutura complexa e bem articulada de lavagem de dinheiro. O grupo movimentou cerca de R$ 500 milhões, utilizando empresas de fachada e negócios simulados para mascarar a origem ilícita dos valores.
De acordo com o processo, os empresários mantinham um esquema de empréstimos ilegais com juros abusivos, cobrando as dívidas sob ameaças e violência. As vítimas, em sua maioria comerciantes e empresários locais, eram coagidas a pagar valores exorbitantes e, em alguns casos, forçadas a transferir imóveis, veículos e estabelecimentos comerciais. Parte do dinheiro era destinado à facção criminosa PCC, com atuação no sistema prisional paulista.
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu carros de luxo, imóveis e grandes quantias em dinheiro, todos agora com perdimento determinado pela Justiça, por serem considerados produtos do crime. A juíza destacou que as provas — interceptações telefônicas, relatórios financeiros e depoimentos — confirmaram a existência de uma organização criminosa com divisão de tarefas e práticas reiteradas de extorsão e lavagem de dinheiro.
Condenados e penas aplicadas
- Kleber Nunes Faria de Sousa: 115 anos, 2 meses e 5 dias de reclusão, mais 2 anos e 8 meses de detenção e 454 dias-multa;
- Nestor Favian Hernandez Perez: 105 anos, 2 meses e 5 dias de reclusão, mais 2 anos e 8 meses de detenção e 414 dias-multa;
- Emerson Escobar Lino: 35 anos e 13 dias de reclusão, mais 1 ano e 4 meses de detenção e 142 dias-multa;
- Reginaldo Salvador dos Reis: 28 anos e 4 meses de reclusão, mais 1 ano e 4 meses de detenção e 108 dias-multa;
- Bruno Feitosa do Nascimento: 14 anos e 2 meses de reclusão e 46 dias-multa;
- Edilberto Robson Ribeiro: 14 anos e 2 meses de reclusão e 46 dias-multa;
- Patrícia Rosana Hernandez Ribeiro: 14 anos e 2 meses de reclusão e 46 dias-multa;
- Nicole de Paiva Reis: 14 anos e 2 meses de reclusão e 46 dias-multa;
- Jackson Fonseca Ribeiro: 9 anos e 4 meses de reclusão, mais 1 ano, 6 meses e 20 dias de detenção e 60 dias-multa;
- David da Rocha de Almeida: 8 anos de reclusão, mais 1 ano e 4 meses de detenção e 52 dias-multa;
- Wenceslau Monteiro Neto: 8 anos de reclusão, mais 1 ano e 4 meses de detenção e 52 dias-multa.
A reportagem aguarda manifestação das defesas dos condenados. Até o momento, dez réus têm representação jurídica já identificada. O jornal tenta localizar a defesa de Wenceslau Monteiro Neto. A matéria será atualizada assim que houver posicionamento.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

