Motorista que arrastou moto por mais de 2 km após acidente fatal na Tamoios é condenado em São José dos Campos
A Justiça de São José dos Campos condenou Kelvin Barbosa Ribeiro a nove anos e dois meses de prisão pelo acidente que provocou a morte do diácono Cristiano Teixeira de Oliveira, na Rodovia dos Tamoios. Apesar da condenação, o réu poderá recorrer em liberdade.
Segundo o Ministério Público, Kelvin dirigia um Volvo XC60, avaliado em cerca de R$ 450 mil, quando atingiu a motocicleta da vítima. Cristiano foi arremessado na pista e acabou atropelado por outros veículos que passavam pela rodovia.
O que mais chocou autoridades e investigadores foi o comportamento do motorista após a colisão: ele seguiu dirigindo por aproximadamente 2,3 quilômetros com a motocicleta presa ao para-choque do carro de luxo, sem prestar socorro.
Na sentença, a juíza Fernanda Salvador Veiga enfatizou a conduta de Kelvin:
“A postura de fugir com seu veículo, tendo a motocicleta da vítima à sua frente, presa ao para-choque, não deixa dúvidas de que ele agiu pensando apenas em si, tentando evitar qualquer responsabilização civil e criminal.”
Fuga armada e pane mecânica
A fuga de Kelvin só terminou porque o automóvel apagou próximo ao cruzamento da Rua Cosme com a Avenida São Vicente de Paulo. De acordo com o MP, o motorista desceu armado e chegou a efetuar um disparo para o alto antes de deixar o local.
A Justiça reconheceu ainda a prática dos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e disparo de arma de fogo, que aumentaram a pena total.
Defesa alegou “fatalidade”
Durante o processo, a defesa tentou justificar o ocorrido como uma fatalidade, alegando que:
- a moto estaria sem lanterna traseira acesa
- Kelvin não teria percebido a colisão
- ele temeu ser vítima de assalto e por isso fugiu
A reportagem aguarda posicionamento atualizado do advogado do réu.
Diácono e pai de dois filhos
Cristiano Teixeira tinha 39 anos, era cristão ativo e atuava como diácono em uma igreja evangélica de São José dos Campos. Ele deixou dois filhos, uma adolescente de 15 anos e um menino de 8.
O Ministério Público destaca que o motorista conduzia o veículo em velocidade incompatível e realizando ziguezague momentos antes da colisão:
“A motocicleta permaneceu presa ao para-choque durante toda a fuga, que durou por aproximadamente 2,3 km”, registra a denúncia.
A condenação representa um passo na busca de justiça para a família e amigos do diácono, cuja morte comoveu a comunidade religiosa da cidade.

