Sábado, Março 7, 2026
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Vale do Paraíba celebra dois vencedores no Prêmio Jabuti 2025: Daniel Munduruku e André Kondo brilham entre os maiores da literatura brasileira

A literatura do Vale do Paraíba voltou ao palco nacional com protagonismo. Dois autores da região venceram suas categorias na 67ª edição do Prêmio Jabuti, o mais prestigiado reconhecimento literário do país. Daniel Munduruku e André Kondo levaram o nome do Vale ao pódio máximo da criação literária brasileira.

A cerimônia realizada nesta segunda-feira (27), no histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro, premiou os melhores entre 4.530 obras inscritas de todo o Brasil, em um ano marcado pela diversidade de temas e grande renovação no cenário literário.

Daniel Munduruku, representante do povo Munduruku e morador de Lorena, venceu na categoria Livro Infantil com a obra “Estações” (Editora Moderna), escrita em parceria com a ilustradora Marilda Castanha. O livro aborda os ciclos da vida e da natureza, reforçando valores de sabedoria ancestral presentes em seu repertório. Com mais de 65 títulos publicados, formação em Filosofia, História e Psicologia e prestígio internacional, Munduruku celebra agora seu terceiro Jabuti, após vitórias em 2005 e 2017. Ele também marcou história ao se tornar o primeiro indígena eleito para a Academia Paulista de Letras.

A outra conquista regional veio com André Kondo, escritor e editor residente em Taubaté, que venceu na categoria Livro Juvenil. A obra “O Silêncio de Kazuki” (Telucazu Edições), ilustrada por Alessandro Fonseca, mergulha na delicada relação entre pai e filho diante de uma grave doença, abordando reconciliação, memória e laços afetivos. Kondo, 50 anos, deixou a vida corporativa para se dedicar exclusivamente à escrita, construiu uma carreira respeitada com 19 livros publicados e mais de 300 prêmios literários. Esta foi sua segunda presença como finalista do Jabuti — a primeira havia sido em 2015 — agora coroada com a vitória.

A noite de gala também contou com dois outros nomes do Vale do Paraíba entre os finalistas. O professor e escritor Tiago Feijó, de 42 anos, concorreu na categoria Contos com a obra “Breve inventário de pequenas solidões” (Editora Penalux). O prêmio, no entanto, ficou com o livro “Dores em salva”, de Elimário Cardozo (Editora Patuá). Já o fotógrafo e documentarista Ricardo Martins, 51 anos, natural de São José dos Campos e morador de Ubatuba, disputou na categoria Artes com a obra “Os últimos filhos da floresta” (Editora Nômades), um registro documental sobre o povo Yanomami. A categoria foi vencida por “Thomaz Farkas, todomundo”, publicado pelo Instituto Moreira Salles.

O reconhecimento aos autores do Vale do Paraíba reafirma a força cultural da região, que segue revelando talentos e ampliando sua presença na literatura nacional. Em uma edição disputadíssima, Daniel Munduruku e André Kondo não apenas conquistaram troféus — reafirmaram que grandes histórias também nascem e florescem no Vale da diversidade, da memória e da identidade brasileira.

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