Polícia Civil investiga denúncia de maus-tratos a gado em ONG de Cunha após encontrar dois animais mortos
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar denúncias de maus-tratos a gado mantido por uma ONG em Cunha (SP), após equipes encontrarem dois animais mortos na propriedade. O caso veio à tona nesta sexta-feira (24), depois que uma denúncia anônima apontou suposta falta de alimentação adequada ao rebanho mantido pela entidade no Bairro Jaguarão, área rural arrendada pela organização.
Durante a vistoria, acompanhada pela Polícia Ambiental e veterinários da Prefeitura de Cunha, foi constatada a presença de mais de 95 cabeças de gado em um pasto bastante seco devido à estiagem. O relatório menciona ausência de cochos, de ração suplementar visível e nenhum funcionário no manejo dos animais no momento da visita. Segundo o boletim, não havia evidências de alimentação complementar disponível no local.
O responsável pela ONG negou a prática de maus-tratos e afirmou que estava remanejando o rebanho para outra fazenda mantida pela entidade. Três caminhões boiadeiros chegaram ao sítio durante a diligência para iniciar o transporte. Veterinários municipais, em avaliação preliminar, relataram que os animais estavam magros em decorrência da seca, mas sem indícios de privação total de alimento. Um laudo técnico será emitido e nova vistoria deve ocorrer na nova propriedade informada pela ONG.
A ocorrência foi registrada como crime ambiental por maus-tratos (art. 32 da Lei 9.605/98), com autoria conhecida. Não houve flagrante, e o caso seguirá em inquérito policial para aprofundamento das circunstâncias e coleta de provas técnicas. O boletim confirma que dois animais já estavam mortos no local antes da chegada das equipes.
A investigação buscará reunir laudos veterinários, fotografias, depoimentos e documentos que possam comprovar se houve negligência no trato, insuficiência de alimento ou qualquer outra conduta dolosa ou culposa. Em paralelo, a Polícia Ambiental poderá aplicar multas e sanções administrativas caso identifique infrações às normas de bem-estar animal.
O artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais prevê pena de detenção e multa para quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais. Em propriedades rurais, a responsabilização pode recair sobre pessoas físicas ou jurídicas, dependendo da análise técnico-veterinária sobre condição corporal, acesso a água, alimento e ambiente adequado.
A apuração tenta justamente distinguir os efeitos da seca de eventuais falhas de manejo, buscando responsabilizar quem tiver dever legal de cuidado sobre os animais. O caso reforça a importância da transparência e planejamento no trato de rebanhos, especialmente em períodos de estiagem prolongada.

