“Justiça”: o grito de uma mãe após prisão do acusado de matar MC Bakka em Ubatuba
Maria Helena de Souza, 59 anos, viveu meses de angústia desde que o filho, o cantor Bruno César Antunes de Souza, conhecido como MC Bakka, foi assassinado em Ubatuba, na frente do próprio filho de 6 anos. O crime brutal aconteceu no dia 2 de março de 2024 e deixou a mãe mergulhada em dor e incerteza. O paradeiro do assassino era, até então, um mistério.
“Sei que uma hora vai acontecer [a prisão], mas é muito angustiante. É desesperador saber que o assassino do meu filho está solto”, desabafou Maria Helena em maio do ano passado.
Mas a reviravolta veio nesta quinta-feira (23), quando a Polícia Civil confirmou a prisão de Augusto Gabriel Judic Borelli, de 32 anos, acusado de assassinar o funkeiro. Segundo as investigações, Borelli mantinha uma relação de amizade com Bakka, o que torna o crime ainda mais perturbador. O suspeito estava foragido havia mais de sete meses e chegou a ser procurado em várias cidades do Vale do Paraíba, incluindo Taubaté, onde tem parentes.
Mesmo após a prisão, a Delegacia de Polícia de Ubatuba segue investigando a motivação do homicídio. Borelli nega o crime.
A mãe, surpreendida com a notícia, não escondeu o misto de alívio e revolta.
“A prisão me pegou até de surpresa. A gente fica meio desacreditada que isso poderia acontecer, que ele seria pego. Mas ele estava tranquilo, lá mesmo onde cometeu o crime. Eu acredito que a justiça vai ser feita”, afirmou.
Maria Helena ainda teme que o acusado possa ser solto e desabafa com indignação:
“Não sei se tenho que entrar com algum procedimento mais sério, se preciso de advogado, porque ele estava tranquilo, trabalhando na praia, como se nada tivesse acontecido. Ele não pode ficar impune. Eu quero vê-lo pagando pelo que cometeu.”
Em maio do ano passado, o delegado Albertino Gonçalves Neto, responsável pelo caso, já havia afirmado que não havia dúvidas sobre a autoria do crime.
“Fizemos as investigações e chegamos ao nome do autor”, disse à época, referindo-se a Borelli, que era vendedor ambulante e amigo próximo de Bakka.
O crime
MC Bakka conheceu Borelli há cerca de cinco anos, quando se mudou para Ubatuba para trabalhar nas praias. Os dois chegaram a morar juntos, mas, com o tempo, surgiram desentendimentos.
“Meu filho saiu da casa porque as coisas começaram a sumir. O Augusto levava a mulher para lá e isso começou a gerar atrito”, contou Maria Helena.
De acordo com o boletim de ocorrência, Bakka trocou mensagens com o amigo antes do crime — ele devia uma quantia em dinheiro a Borelli. O cantor planejava deixar o Litoral Norte e voltar para São José dos Campos, onde já havia conseguido um novo emprego.
No sábado, 2 de março, Bakka foi a Ubatuba para entregar a casa que havia alugado há menos de um mês. Levou a esposa e o filho, e chegou a comprar tintas para pintar o imóvel antes de entregá-lo.
Após um dia tranquilo em família, ele conversava com Borelli em frente ao portão da residência, quando foi surpreendido. O suspeito sacou uma arma e atirou nas costas do funkeiro. O filho, de apenas 6 anos, viu tudo.
“Ele caiu e meu neto começou a gritar. A mãe saiu correndo e viu o Bruno caído no chão. O cara já tinha fugido”, relembrou Maria Helena.
Agora, com a prisão do acusado, a mãe busca o que chama de “um mínimo de paz”:
“Tudo que queremos é justiça. Que ele pague pelo que fez. Porque ninguém tem o direito de tirar a vida do outro — ainda mais na frente de uma criança.”


