Júri de homem acusado de matar fazendeiro e estuprar filha de 11 anos em Lagoinha é adiado após jurado se declarar parcial
O julgamento de Edcarlos de Oliveira Rocha, de 53 anos, acusado de matar o fazendeiro Bento Gordiano de Carvalho Neto, de 75 anos, e de sequestrar e estuprar a filha dele, uma menina de 11 anos, foi adiado na manhã desta terça-feira (21), em São Luiz do Paraitinga. A sessão do júri popular, que havia começado por volta das 9h, precisou ser interrompida cerca de uma hora depois, quando um dos jurados se declarou parcial, impedindo a continuidade dos trabalhos. Diante da situação, o juiz responsável pelo caso determinou o adiamento do julgamento, que foi remarcado para o dia 18 de novembro.
O caso, que chocou a pequena cidade de Lagoinha e toda a região do Vale do Paraíba, remonta a 17 de fevereiro de 2023. Segundo a investigação da Polícia Civil, Edcarlos, que já havia trabalhado para a vítima, invadiu a propriedade rural do fazendeiro e o assassinou de forma violenta. Em seguida, ele sequestrou a filha do patrão e manteve a criança em cárcere, submetendo-a a abusos sexuais antes de fugir. A menina foi localizada após horas de buscas, em estado de choque, mas sobreviveu.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Edcarlos foi indiciado por uma série de crimes: homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado com fins libidinosos, estupro, roubo e estupro de vulnerável. A denúncia foi aceita pela Justiça em 24 de abril de 2023, data em que também foi mantida a prisão preventiva do acusado, que segue detido desde então.
O crime teve grande repercussão não apenas pela brutalidade, mas também pelo vínculo entre o autor e as vítimas. Bento Gordiano era um morador conhecido e respeitado na comunidade rural, descrito como um homem simples, trabalhador e querido pelos vizinhos. Já o acusado era seu ex-funcionário, o que intensificou o sentimento de revolta entre os moradores da região.
Durante a fase de instrução, testemunhas relataram detalhes que reforçam a acusação de premeditação e crueldade. O Ministério Público sustentou que Edcarlos demonstrou frieza e planejamento, agindo com total desprezo pela vida humana. A Promotoria espera que, em caso de condenação, a pena ultrapasse 100 anos de prisão em regime fechado, diante da soma dos crimes e das circunstâncias agravantes.
Diante da situação, o juiz responsável pela condução do júri decidiu suspender a sessão e remarcar o julgamento para o dia 18 de novembro. O adiamento frustrou as partes envolvidas, que aguardavam o desfecho do caso, e exigirá uma nova composição do conselho de sentença na próxima data.
A nova sessão deverá contar com reforço na segurança e presença de representantes do Ministério Público, da defesa e dos familiares das vítimas, que acompanham o processo desde o início.

Foto: Reprodução/TV TH+ SBT Vale
