Sábado, Março 7, 2026
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Fé interrompida pela violência: policial e jovem são assassinados enquanto caminhavam em romaria para Aparecida

Nem a fé tem mais sossego. Em dois dias consecutivos, o Vale do Paraíba foi marcado por tragédias que abalaram a região e deixaram uma ferida aberta no coração dos romeiros: o policial militar Luiz Guilherme Crispim de Oliveira, de 30 anos, e o jovem Gustavo, de 18 anos, foram assassinados enquanto faziam peregrinação a pé rumo ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

O primeiro caso ocorreu na madrugada de sábado (11), na Rodovia Presidente Dutra, em Lorena. O Cabo Crispim, lotado na 4ª Companhia do 23º BPM/I de Cruzeiro, caminhava com dois amigos quando foi abordado por um criminoso armado. Durante o assalto, o ladrão puxou a mochila do policial e, ao perceber o colete refletivo com a palavra “POLÍCIA”, atirou diversas vezes.
O militar caiu no acostamento, atingido nas costas, na mão e no antebraço. Ele ainda foi socorrido, mas não resistiu. Os dois amigos também foram baleados — um de raspão e outro no pé —, mas sobreviveram.

Horas antes da tragédia, o grupo havia registrado uma foto em frente ao Shopping Shibata, em Cruzeiro, no ponto de partida da caminhada de fé. O policial era casado e deixa uma filha. A Polícia Militar lamentou a morte do colega, destacando sua dedicação, fé e compromisso com a corporação e com a comunidade cruzeirense. O caso é investigado como latrocínio (roubo seguido de morte), e o autor segue foragido.

Já na madrugada deste domingo (12), outro crime covarde se repetiu, desta vez em Canas, nas imediações do polo industrial, perto da Lorenfer. O jovem Gustavo, morador do bairro do Pitéu, em Cachoeira Paulista, fazia o mesmo caminho de fé rumo à “Casa da Mãe” quando foi surpreendido por um assaltante.
Segundo a Polícia Militar, ele caminhava com um amigo quando o criminoso exigiu os celulares. O companheiro entregou o aparelho, mas Gustavo resistiu em entregar o seu e acabou atingido na cabeça por um disparo. Ele morreu no local antes da chegada do socorro.

Os dois crimes, ocorridos em menos de 24 horas, transformaram um fim de semana de devoção em dias de luto e indignação. Nas redes sociais, familiares e amigos prestaram homenagens e pediram justiça, enquanto fiéis que seguem a pé até Aparecida relatam medo e revolta.

Milhares de pessoas ainda estão nas estradas neste período de romarias, e a violência que ceifou a vida de um homem de farda e de um jovem cheio de sonhos levanta um alerta doloroso: no Brasil de hoje, nem mesmo a fé caminha em paz.

🗞 Jornal A Notícia

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