“Rumo à Casa da Mãe”: última mensagem do cabo Crispim antes de ser morto durante romaria a Aparecida
“Rumo à Casa da Mãe Aparecida.”
Foi com essa mensagem de fé, publicada nas redes sociais, que o policial militar Luiz Guilherme Crispim de Oliveira, de 30 anos, se despediu do mundo antes de ser assassinado covardemente a tiros durante um assalto na madrugada deste sábado (11), na Rodovia Presidente Dutra, em Lorena, no Vale do Paraíba.
O soldado da 4ª Companhia do 23º Batalhão da Polícia Militar do Interior (23º BPM/I) seguia em romaria rumo ao Santuário Nacional de Aparecida, acompanhado de dois primos, quando foi surpreendido por um criminoso vestido de preto. O agressor anunciou o assalto e, ao perceber a faixa refletiva do colete da PM, atirou pelas costas, fugindo em seguida com o celular iPhone da vítima e cerca de R$ 800 em dinheiro.
Segundo o boletim de ocorrência, Crispim não chegou a reagir. Ele carregava apenas uma mochila de romeiro com pertences pessoais. Gravemente ferido, foi socorrido por uma viatura da Polícia Militar até o Pronto-Socorro de Lorena, mas não resistiu aos ferimentos.
Momentos antes do crime, outro grupo de romeiros havia acionado a Polícia Rodoviária Federal (PRF) relatando uma tentativa de assalto na mesma região, nas proximidades da fábrica Biemme e de um posto de combustíveis. Uma equipe chegou a ser enviada ao local, mas não encontrou suspeitos. Cerca de vinte minutos depois, veio o chamado informando que um policial havia sido baleado.
A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio (roubo seguido de morte). Câmeras de segurança da rodovia e das imediações estão sendo analisadas, e o celular subtraído será rastreado para tentar localizar o autor do crime.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou a ocorrência e lamentou profundamente a morte do militar:
“A SSP lamenta a morte de um policial militar, de 30 anos, vítima de latrocínio na Rodovia Presidente Dutra, em Lorena. De acordo com o boletim de ocorrência, equipes da PRF foram acionadas por um romeiro que relatou um assalto. Momentos depois, houve o chamado de que um policial havia sido baleado. Todos foram socorridos, mas infelizmente o policial não resistiu.”
Natural de Cruzeiro, Crispim era conhecido entre os colegas como um profissional dedicado, disciplinado e de grande coração. Sua morte em plena romaria — uma caminhada de fé e devoção — causou profunda comoção entre familiares, amigos e companheiros de farda.
“Ele partiu fazendo aquilo que mais acreditava: caminhando com fé. Que Deus conforte o coração da família e dos irmãos de farda”, disse um colega emocionado.
O cabo Crispim agora é lembrado não apenas como policial, mas como um devoto que seguiu o caminho até a Casa da Mãe Aparecida com fé no coração e coragem no olhar.

