Morta em SJC, Jeniffer saiu de casa pela segunda vez desde o assassinato da mãe
A dor da família de Jeniffer Keiser dos Santos, de 21 anos, se renova após mais uma perda devastadora. A jovem morreu em um acidente na Via Dutra, em São José dos Campos, na noite de domingo (5), apenas na segunda vez que havia saído de casa desde o assassinato da mãe, ocorrido em 2020.
Segundo informações, Jeniffer estava na garupa de uma moto com o namorado, quando o veículo foi atingido por um carro em alta velocidade, possivelmente envolvido em um racha. O impacto foi tão forte que a jovem morreu no local. O namorado ficou ferido. O motorista responsável pela batida fugiu a pé e ainda não foi localizado.
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo na direção de veículo automotor e fuga do local do acidente.
A irmã da vítima, Janaína Keiser, contou que Jeniffer vivia reclusa desde a morte da mãe, assassinada brutalmente há quase cinco anos. “O dia do acidente foi a segunda vez que ela saiu de casa depois de tudo. Saiu para morrer…”, lamentou. “Ela tinha saído para oficializar o namoro, foram fazer um churrasco na represa. Na volta, aconteceu isso.”
Jeniffer era a sétima entre nove irmãos, tinha um filho de 3 anos e sonhava em seguir carreira na área de necropsia, um campo da medicina legal que sempre despertou seu interesse. “Ela era a mais estudiosa de todos, muito inteligente, alegre e cheia de sonhos. Queria fazer faculdade e construir uma vida melhor para o filho”, relembrou a irmã.
Mesmo abalada por anos de sofrimento, a jovem vinha dando sinais de recomeço. Havia concluído o ensino médio pelo Encceja, depois de abandonar a escola no primeiro ano, e recentemente passara em uma entrevista de emprego, onde começaria a trabalhar nesta segunda-feira.
O velório e sepultamento, realizados na segunda (6), reuniram familiares, amigos e moradores da comunidade, todos comovidos com a morte precoce da jovem. “Ela era muito querida, todos a amavam. Estava se reconstruindo, e isso nos dá uma mistura de dor e revolta”, disse Janaína, emocionada.
A família agora aguarda justiça. “Não é justo. Depois de tudo o que ela passou, quando começou a viver de novo, tiraram isso dela. Não é justo”, desabafou a irmã, em meio às lágrimas.

