Sábado, Março 7, 2026
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Mistério no Vale: desaparecimentos em série mergulham famílias em dor e angústia

O Vale do Paraíba tem sido palco de uma sequência de desaparecimentos que transformaram a rotina de muitas famílias em um tormento sem fim. De São José dos Campos a Aparecida, passando por Cruzeiro, Lavrinhas e São Sebastião, histórias de pessoas que simplesmente sumiram expõem não apenas o drama da ausência, mas também a cobrança por respostas das autoridades e a mobilização de comunidades inteiras em busca de justiça e consolo.

O caso mais recente envolve Michele Brás Nogueira, de 36 anos, que desapareceu após se jogar no rio Paraíba do Sul, em São José dos Campos, na manhã de sábado (20). Segundo testemunhas, Michele mergulhou por volta das 6h, chegou a boiar, mas depois não voltou mais à superfície. A mãe, Gilda Braz Crisóstomo, de 54 anos, acompanha as buscas de perto e, em lágrimas, desabafou: “Não tenho mais esperanças de encontrá-la viva. Quero pelo menos ter o direito de me despedir”. Michele enfrentava problemas com dependência química, o que teria motivado o ato desesperado. Amigos e conhecidos se mobilizam nas redes sociais, pedindo prioridade nas buscas e solidariedade à família.

Em Aparecida, o sumiço de Vanuti da Conceição Ferreira, de 28 anos, morador de São Bernardo do Campo, também causa grande comoção. Ele desapareceu no domingo (14), durante uma excursão religiosa, após se perder do grupo por volta das 11h. Vanuti não fala e não escuta, o que dificulta ainda mais a comunicação em situações de risco. No momento em que foi visto pela última vez, usava calça roxa, blusa de frio preta, sapatos roxos e uma bolsa azul. A mãe permanece em Aparecida, acompanhando as buscas e registrou boletim de ocorrência. Familiares e voluntários pedem que qualquer informação seja repassada à Polícia Militar pelo 190 ou à Polícia Civil pelo 181.

Outros casos seguem sem desfecho e aumentam a aflição coletiva. Em São José dos Campos, Levi Ricardo de Souza, de 50 anos, desapareceu na noite de sábado (20), após ser visto nas imediações de uma casa noturna próxima ao bar do China, no centro da cidade. A família busca informações e disponibilizou contatos para quem souber de algo. Já em Cruzeiro, a jovem Bruna Oliveira da Silva, de 25 anos, sumiu na madrugada de domingo (21), depois de sair de casa no condomínio Colinas da Mantiqueira sem levar o celular. O pai relatou que a filha nunca se ausentava por longos períodos e que não fazia uso de drogas, aumentando a preocupação. Há suspeita de que um homem esteve em sua residência na noite do desaparecimento, e a Polícia Civil investiga o caso.

Na Costa Sul de São Sebastião, o desaparecimento do professor Jucimar de Jesus Barreto, de 44 anos, acrescenta outro capítulo de mistério. Seu carro foi encontrado abandonado em uma área de mata, após perseguição policial. Dois suspeitos fugiram a pé, e celulares apreendidos ainda são analisados. O professor, que lecionava em Boiçucanga, não apareceu para trabalhar no dia do ocorrido, e desde então não há pistas sobre seu paradeiro.

O drama mais antigo entre os casos recentes é o de Alessandro Barbosa Xavier da Silva, de 26 anos, desaparecido desde 29 de junho em Lavrinhas. Ele saiu de casa para visitar um amigo, almoçou e disse que iria “dar uma volta”. Nunca mais voltou. Sua mãe, Aparecida Suely Soares Barbosa, vive a agonia diária da espera: “Eu quero que ache pelo menos o corpo do meu filho. A falta de notícias é o que mais machuca. Eu só quero um fim para essa dor.” O caso está sob investigação da DIG de Cruzeiro, que continua reunindo informações.

As histórias de Michele, Vanuti, Levi, Bruna, Jucimar e Alessandro se entrelaçam em um mosaico de dor que se espalha pelo Vale do Paraíba. Comunidades se mobilizam, autoridades investigam, mas a ausência de respostas concretas transforma cada dia em um fardo insuportável para familiares. O silêncio sobre o paradeiro dessas pessoas não é apenas ausência de notícias: é um vazio que grita por atenção, solidariedade e ação.

Em meio ao sofrimento, fica também um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficientes em apoio psicológico, prevenção ao suicídio e combate à dependência química. Em situações de crise, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia, além de chat e e-mail no site oficial.

Enquanto a esperança insiste em resistir, mães, pais, filhos e amigos seguem vivendo a angústia de um mistério que ainda não teve fim.

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